
Homenagem a Landri Neto reuniu amigos, familiares e professores, além do jornalista Pedro Bassan e do advogado Marcelo Turra, durante a Semana Acadêmica
Em meio às comemorações dos 30 anos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), uma homenagem marcada pela emoção ganhou destaque na programação da Semana Acadêmica. Na terça-feira (3), o curso realizou, pela primeira vez em sua história, uma defesa póstuma de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em homenagem ao estudante e advogado Landri Alves Carvalho Neto, falecido em agosto de 2026, em decorrência de complicações cardíacas.
A apresentação aconteceu no Miniauditório 1 do Complexo de Jornalismo, no Câmpus de Palmas, e foi conduzida pelos amigos Cláudia Orquiza, Flayra Castro e Kauã Resplandes. A cerimônia contou ainda com a presença do jornalista Pedro Bassan e do advogado Marcelo Turra, que participaram do momento de reconhecimento à trajetória de Landri.
A conclusão do trabalho representou a continuidade de um sonho interrompido. Antes de falecer, Landri havia deixado registrado por escrito o desejo de que seu TCC fosse concluído, mesmo após sua partida.
Para Cláudia Orquiza, participar da homenagem foi uma maneira de manter vivos os planos construídos ao lado do amigo.
“Fizemos inúmeros planos para o pós-cirurgia. Infelizmente, meu amigo nunca poderá realizá-los. Mas, o que depender da gente, os sonhos que ele nos confiou, iremos concluir, para honrar sua memória”, contou.
O jornalista Pedro Bassan, que acompanhou de perto a trajetória de Landri, destacou a admiração pela coragem e pelo compromisso do amigo com as causas que defendia. Para ele, a realização da defesa simboliza a permanência de seu legado.
“O fato de eu estar aqui hoje mostra a força do Landri, porque isso é mais uma realização dele. Ele continua aqui com a gente. Ele fez a gente se reunir aqui hoje”, afirmou Bassan.
O advogado Marcelo Turra também relembrou a amizade e a admiração que nutria por Landri. Os dois se conheceram em 2022 e compartilham experiências ligadas à advocacia e à defesa dos direitos humanos, especialmente das pessoas vivendo com HIV/Aids.
“Landri foi um grande amigo, uma pessoa exemplar, pessoa que eu admirava bastante. Eu me vi no Landri quando eu tinha 20 anos de idade”, relatou.
Turra também destacou o potencial profissional de Landri e a inspiração que sua trajetória representava, inclusive para aqueles com mais tempo de carreira.
“Eu tenho certeza de que a trajetória do Landri iria me dar mais gás nesse momento da minha vida, que eu já estou praticamente no final de carreira”, declarou.
Para a coordenadora do curso de Jornalismo da UFT, professora Valquíria Guimarães, a iniciativa representa o reconhecimento da trajetória acadêmica e dos sonhos do estudante.
“Realizar essa defesa é homenageá-lo, é poder dar a ele, de uma forma simbólica, o título de jornalista que ele tanto queria ter, que ele tanto queria concluir esse curso”, destacou.
Uma trajetória que permanece
Landri Alves Carvalho Neto tinha 32 anos e estava no último semestre do curso de Jornalismo da UFT. Restavam apenas duas disciplinas e a conclusão do TCC, que já estava em fase final. Formado em Direito, encontrou na comunicação outra grande paixão e alimentava o sonho de apresentar um grande telejornal.
Ao longo de sua trajetória, destacou-se pela defesa dos direitos humanos, especialmente da população LGBTQIA+. Presidiu por sete anos a Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO), contribuindo para iniciativas voltadas à igualdade, à cidadania e ao respeito à diversidade.
Sua atuação também esteve ligada à defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/Aids, área em que desenvolveu trabalhos de acolhimento e orientação jurídica.
Além da atuação profissional, Landri era lembrado pelo bom humor, pela generosidade e pela intensidade com que vivia.
“Meu irmão viveu a vida intensamente. Meu irmão aproveitou a vida. Meu irmão entendeu o que é o viver”, declarou José Roberto, irmão de Landri.
30 anos de histórias
Realizada entre os dias 3 e 6 de novembro, a Semana Acadêmica de Jornalismo celebrou as três décadas do curso com o tema “O mundo muda. A história continua”.
Ao integrar a programação comemorativa, a defesa póstuma de Landri Neto ganhou um significado especial, lembrando que a história de uma universidade também é construída pelas pessoas que passam por ela.
Mais do que uma homenagem, o momento reafirmou a importância dos vínculos construídos durante a formação acadêmica e mostrou que algumas histórias continuam sendo contadas mesmo depois da partida de seus protagonistas.Autora: Flayra Castro, estudante de jornalismo na UFT