
A eleição de Amélio Cayres para vice-governador abriu uma disputa que já movimenta os bastidores da Assembleia Legislativa do Tocantins. Moisemar Marinho, deputado reeleito pelo PL, avançou nas articulações e aparece como o nome apoiado pelo grupo do governador eleito, Vicentinho Júnior. O deputado esteve no palanque de Vicentinho no segundo turno, depois de apoiar Professora Dorinha na primeira etapa da eleição.
Relatos de bastidores apontam que Moisemar já teria o apoio de 18 dos 24 deputados da próxima legislatura. Valdemar Júnior também chegou a ser citado entre os possíveis candidatos. Léo Barbosa, Jorge Frederico e Toinho Andrade estiveram entre os nomes lembrados nas conversas iniciais. A preferência por Moisemar parece ter ganhado força, mas a composição da Mesa ainda dependerá de negociação entre os parlamentares e da eleição interna da Casa.
O cenário será influenciado pela nova composição da Aleto. Dos 24 eleitos, 17 foram reeleitos e sete chegam à Assembleia pela primeira vez. A continuidade de boa parte dos parlamentares preserva relações e experiências da atual legislatura. Ao mesmo tempo, a chegada de novos deputados abre espaço para uma reorganização de alianças e responsabilidades na Casa.
A disputa também ocorre sob uma régua elevada pela gestão de Amélio, que presidiu a Assembleia por dois biênios consecutivos. Nesse período, a Casa realizou um concurso público após 18 anos, inaugurou o prédio administrativo anexo e ampliou iniciativas de transparência, como a divulgação das emendas parlamentares. A TV Assembleia também ampliou sua presença no Estado.
Esse legado tem dimensão institucional e política. Amélio conduziu uma gestão compartilhada, valorizou o papel dos deputados e investiu na estrutura necessária para aproximar a Assembleia da população. A atuação de equipes técnicas também integrou esse processo. Irisfran de Sousa, na direção-geral, e Wanja Nóbrega, na comunicação, ajudaram a sustentar uma condução administrativa equilibrada e uma política de visibilidade institucional para a Casa.
A nova presidência herdará uma Assembleia mais estruturada e mais exposta à avaliação pública. Moisemar, caso confirme a vantagem nas articulações, terá o desafio de transformar apoio político em liderança institucional, construir diálogo entre os 24 deputados e preservar a autonomia do Legislativo na relação com o futuro governo.
A sucessão não se resume à escolha de um presidente. Ela definirá como a Aleto pretende exercer seu papel nos próximos anos. Amélio deixa uma régua de entregas e de valorização da Casa. À próxima Mesa caberá mostrar que sabe avançar a partir desse legado.