
O senador do Tocantins e vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL), defendeu que a direita amplie o diálogo entre partidos para definir sua posição na eleição da Presidência do Senado. “Vamos reunir, não só o PL, para definir posição”, afirmou em entrevista exclusiva ao jornal O Globo, concedida aos jornalistas Letícia Pille, Luísa Marzullo e Bruno Góes.
Gomes disse que uma reunião do PL está prevista para a próxima semana, mas ressaltou que a definição também deverá envolver senadores de outras legendas. Entre os nomes que já colocaram suas candidaturas estão o senador Rogério Marinho e a senadora Tereza Cristina. Para ele, ainda é cedo para antecipar um apoio do partido à reeleição de Davi Alcolumbre.
Na entrevista, o senador também tratou da reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro. Gomes avaliou que o PL precisa discutir seus próximos passos com lideranças partidárias, parlamentares e governadores. Segundo ele, a definição sobre quem conduzirá a oposição dependerá da capacidade de articulação de cada liderança e da construção de uma posição comum.
O senador citou governadores como Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr., Jorginho Mello e Romeu Zema como lideranças com peso nesse debate. Sobre uma eventual candidatura de Tarcísio à Presidência da República em 2030, ponderou que ainda é cedo para tratar do assunto, diante do momento político e da necessidade de avaliar os acontecimentos recentes.

Gomes reconheceu que o resultado eleitoral e os episódios do segundo turno exigem reflexão. Disse que é preciso fazer uma autocrítica sobre a campanha e a pauta econômica, além de avaliar os erros que contribuíram para a derrota. Também afirmou que as suspeitas levantadas sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro precisam ser examinadas, mas que eventuais acusações de fraude ou uso de poder econômico ainda devem ser debatidas.
Ao mesmo tempo, defendeu o reconhecimento do resultado final e a busca por governabilidade. Para o senador, a discussão política precisa considerar a responsabilidade de quem foi eleito e a necessidade de permitir que o novo governo tome posse e conduza sua gestão.
Sobre a atuação do PL no Congresso, Gomes afirmou que o partido deverá manter-se na oposição, mas vê espaço para diálogo em temas de interesse nacional. Ele citou a aprovação do Marco Legal do Saneamento e do arcabouço fiscal como exemplos de matérias que tiveram apoio significativo da bancada do partido. Na avaliação do senador, há pautas em que a posição dos parlamentares pode levar em conta os interesses dos estados, mesmo diante da divisão política.
Gomes também considerou possível uma revisão das regras das emendas parlamentares. Para ele, as mudanças feitas no semestre passado foram insuficientes, e o tema deverá voltar à discussão no Congresso.