
Maju Cotrim
Enquanto o debate sobre jornada de trabalho ganha força no país, um dado chama atenção: os trabalhadores do Tocantins estão entre os que mais dedicam horas ao trabalho semanalmente no Brasil.
Levantamento com base na PNAD Contínua do IBGE, referente ao primeiro trimestre de 2026, mostra que a média nacional de horas trabalhadas por semana é de 39,8 horas. No Tocantins, a média chega a 39,4 horas semanais, acima de grande parte dos estados brasileiros e muito próxima do índice nacional.
No ranking nacional, o Tocantins aparece entre os estados com maior carga horária média de trabalho, ficando à frente de estados como Bahia (36,9h), Amazonas (36,7h), Maranhão (36,2h) e Piauí (35,7h), este último com a menor média do país.
A liderança é de Santa Catarina, onde os trabalhadores cumprem, em média, 41,3 horas por semana. Já a diferença entre o estado que mais trabalha e o que menos trabalha chega a 5,6 horas semanais.

Mais horas não significam necessariamente mais produtividade
Os dados revelam um aspecto importante do mercado de trabalho brasileiro. Segundo especialistas, uma carga horária mais elevada nem sempre está relacionada a maior esforço individual, mas sim a fatores como formalização do emprego, estabilidade dos vínculos trabalhistas e menor nível de informalidade.
Santa Catarina, por exemplo, que lidera o ranking nacional, também possui uma das menores taxas de informalidade do país. Já estados com menor carga horária costumam registrar índices mais elevados de subutilização da força de trabalho, desemprego e informalidade.
Nesse contexto, o desempenho do Tocantins sugere um mercado de trabalho relativamente ativo, embora ainda marcado por desafios estruturais comuns aos estados da região Norte.
Comparação internacional
O estudo também mostra que o brasileiro trabalha mais horas do que boa parte dos trabalhadores europeus. A média da União Europeia é de 36 horas semanais, enquanto países como Alemanha e França registram jornadas inferiores a 34 horas.
O contraste reforça uma discussão cada vez mais presente no Brasil: a necessidade de equilibrar produtividade, qualidade de vida e condições de trabalho.
Escolaridade e jornada
Outro dado curioso é que trabalhadores com ensino médio completo registram a maior média de horas trabalhadas no país, com 40,8 horas semanais, superando inclusive aqueles com ensino superior completo, cuja média é de 40,4 horas.
Para o Tocantins, os números ajudam a compreender o perfil do mercado de trabalho local e podem servir de base para debates sobre emprego, formalização e desenvolvimento econômico em um momento em que o país discute mudanças nas relações de trabalho e modelos de jornada.
Destaque: Com média de 39,4 horas trabalhadas por semana, o Tocantins está acima de grande parte dos estados brasileiros e próximo da média nacional de 39,8 horas, segundo dados do IBGE.