Inspirada na Suça, exposição “Dança do Pote” reúne cerâmica e ancestralidade em Palmas

E se o barro pudesse dançar? A resposta ganha formas, movimentos e sonoridades nesta sexta-feira, 28 de agosto, quando Palmas recebe a abertura da exposição “Dança do Pote”, do Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts. A mostra será aberta na Casacor Tocantins e permanecerá em cartaz até o dia 8 de setembro, propondo ao público um encontro entre cerâmica, música, dança, ancestralidade e uma das manifestações tradicionais mais marcantes da cultura tocantinense: a Suça.

Com obras do artesão, músico e ceramista Wanderley Batista e produção cultural de Daniella Aires, “Dança do Pote” transforma em cerâmica os movimentos, gestos e memórias presentes na dança popular. As peças estabelecem uma espécie de coreografia moldada no barro, na qual formas, curvas e volumes evocam corpos em movimento e revelam possibilidades contemporâneas de interpretação dos saberes tradicionais.

A exposição integra a programação da Casacor Tocantins, compondo o ambiente “Caminho dos Quilombos”, do artista Divino Alcan. A inserção da mostra nesse espaço cria um diálogo entre cultura popular, memória, ancestralidade, arquitetura, design e arte contemporânea, aproximando diferentes linguagens e convidando novos públicos a conhecerem a riqueza da produção artística tocantinense. A abertura em Palmas também marca o início da circulação do projeto. Após a temporada na Capital, “Dança do Pote” seguirá para a Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás, e para Natividade, no Tocantins, promovendo encontros com diferentes territórios ligados à cultura popular, à tradição e aos saberes transmitidos entre gerações.

Quando o barro dança

Em “Dança do Pote”, Wanderley Batista parte da observação da Suça para investigar a relação entre os movimentos do corpo e aqueles realizados pelo artesão durante a modelagem da argila. O giro, a repetição, o ritmo, a força das mãos e o movimento circular aproximam simbolicamente quem dança de quem molda o barro.

A proposta, porém, ultrapassa a exposição convencional de peças cerâmicas. O projeto foi concebido como uma experiência artística multidisciplinar, na qual cerâmica, dança e música se complementam. Ao longo da circulação, estão previstas intervenções artísticas, rodas de conversa com o artista e oficinas de argila, ampliando a experiência do público e criando espaços para transmissão e compartilhamento de conhecimentos.

Para Wanderley Batista, o trabalho nasceu justamente da percepção de que o fazer do ceramista e a dança possuem mais elementos em comum do que pode parecer à primeira vista. “A Dança do Pote nasce desse desejo de perceber que o barro também pode dançar. O movimento das mãos do oleiro, o movimento do corpo na Suça e o som dos instrumentos de barro fazem parte de uma mesma linguagem: a linguagem da terra e da memória. Quando transformamos esses movimentos em peças, estamos também falando das pessoas, das histórias e dos saberes que ajudaram a construir a identidade cultural do Tocantins”, explica Wanderley.

Palmas como ponto de partida

A escolha de Palmas para abrir a circulação aproxima o projeto de um público diverso e cria uma oportunidade para inserir referências da cultura popular tocantinense em um ambiente dedicado à arquitetura, ao design e às diferentes manifestações da criação contemporânea. Na Casacor Tocantins, o encontro com o ambiente “Caminho dos Quilombos” potencializa essa proposta ao colocar em evidência referências culturais, memórias e saberes historicamente construídos nos territórios.

Para a produtora cultural Daniella Aires, iniciar a circulação na Capital é também uma oportunidade de ampliar os espaços ocupados pela produção cultural tocantinense e mostrar que tradição e contemporaneidade não são universos opostos. “Queremos que as pessoas encontrem essas peças e percebam que existe uma história viva por trás delas. A cultura popular não pertence somente ao passado. Ela se transforma, dialoga com outras linguagens e continua inspirando novas criações. Abrir a Dança do Pote em Palmas é colocar esses saberes em diálogo com novos públicos e mostrar a força que a produção artística do Tocantins possui”, afirma Daniella.

Segundo a produtora, a circulação também cumpre o papel de aproximar pessoas que talvez ainda não tenham contato direto com manifestações como a Suça ou com o universo da cerâmica artesanal. “Quando levamos uma exposição como essa para diferentes espaços e cidades, estamos criando pontes. O público conhece o trabalho do artista, mas também passa a conhecer um pouco mais sobre o território, as manifestações populares e as pessoas que mantêm esses conhecimentos vivos. Esse encontro é uma das maiores riquezas do projeto”, acrescenta.

Projeto

O projeto “Dança do Pote” foi aprovado no Edital Promic 2025, da Fundação Cultural de Palmas, e sua realização evidencia a importância das políticas públicas de fomento para que artistas e espaços culturais possam desenvolver, produzir e fazer circular seus trabalhos.

Serviço

O quê: Abertura da exposição “Dança do Pote”

Quando: Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Onde: Casacor Tocantins – Palmas/TO

Temporada em Palmas: 28 de agosto a 5 de setembro

Ambiente: “Caminho dos Quilombos”, de Divino Alcan

Próximos destinos: Vila de São Jorge – Alto Paraíso/GO e Natividade/TO

Realização: Ponto de Cultura Pote de Ouro Arts

Produção cultural: Daniella Aires

Artista e ceramista: Wanderley Batista

Projeto: Aprovado no Edital Promic 2025 – Fundação Cultural de Palmas