
A falta d’água tem provocado reclamações de moradores de Paranã, no sudeste do Tocantins, e chegou à Câmara Municipal. Relatos apontam torneiras secas há vários dias em comunidades do município, dificuldades no abastecimento de uma escola estadual e moradores recorrendo ao rio para conseguir água.
O serviço de abastecimento no município é operado pela BRK. No povoado Campo Alegre, moradores relatam que o problema já dura entre quatro e seis dias. Segundo eles, a informação recebida é de que uma bomba do sistema teria queimado, mas não há uma previsão considerada segura para a normalização. Até comércios estão interrompendo funcionamento devido ao problema de abastecimento na cidade.

Um dos moradores afirmou que a situação obrigou famílias a buscar alternativas por conta própria.
“Aqui na cidade não tem água, não. Se quiser, tem que descer para o rio, lavar roupa, vasilha, carregar água. Não tem água, não”, reclamou.
Outro morador disse que um caminhão chegou a levar água para parte da comunidade, mas a quantidade não foi suficiente para atender todas as casas.
“Estão trazendo um caminhão de Paranã. Um caminhão aqui acho que colocou em umas 20 casas, não deu mais, já acabou a água.”
Em outro relato, um morador afirma que a comunidade chegava ao quinto ou sexto dia de desabastecimento.
“Hoje nós vamos para o quinto, sexto dia sem água aqui. Nós estamos passando arrochado.”
Escola também enfrenta problema
A crise no abastecimento também atinge a área da educação. Uma escola estadual está sem água, conforme os relatos apresentados durante discussão na Câmara.
A possibilidade de colocar em funcionamento um ponto localizado em uma escola chegou a ser tratada com a gestão municipal, mas a estrutura também enfrenta problema relacionado ao fornecimento de energia.
Vereador cobra audiência pública com BRK
Na Câmara Municipal, o vereador Guilherme Pimentel criticou a qualidade do serviço e pediu a realização de uma audiência pública para cobrar explicações da concessionária. Ele defendeu que outros órgãos também participem da discussão.
“Essa empresa vem tratando a sociedade de Paranã com tamanho descaso. Temos reclamações de passar semanas sem água nos setores mais acima da nossa comunidade. Isso é um descaso, isso não pode acontecer”, afirmou.
Pimentel citou especificamente a situação de Campo Alegre e disse que moradores não podem continuar pagando pelo serviço sem receber água regularmente.
“Campo Alegre, do mesmo jeito, quatro dias sem água numa época dessa. Como é que faz numa situação dessa? […] Nós estamos pagando, nós não estamos pedindo favor.”
O parlamentar defendeu que a Câmara convoque a BRK e envolva o Ministério Público e o Poder Judiciário na busca por uma solução.
“Nós somos representantes do povo. O povo nos colocou aqui para representá-los, então nós devemos correr atrás dessa demanda.”
Durante a fala, Pimentel também mencionou relatos de contas que teriam chegado a R$ 7 mil em povoados do município, situação que classificou como “inaceitável”. Não há, nas informações apresentadas, detalhes sobre os consumidores, períodos de cobrança ou motivo dos valores.
Moradores relatam dificuldade até para conseguir água em caminhão
Além do desabastecimento, moradores fizeram uma acusação que deverá ser esclarecida: segundo um deles, um motorista que estaria transportando água para famílias teria sido advertido e, depois disso, deixado de realizar o abastecimento.
Outro relato menciona um caminhão disponível para levar água à população, mas que teria sido impedido de fazer o carregamento. As circunstâncias dessas situações não estão esclarecidas e as versões não foram confirmadas de forma independente.
O que diz a BRK
Diante das reclamações, a Gazeta do Cerrado procurou a BRK para saber o que provocou a interrupção, quais localidades são afetadas, quantas famílias estão sem abastecimento, quais medidas emergenciais estão sendo adotadas e quando o serviço deverá ser normalizado. O espaço permanece aberto para manifestação da concessionária.