
Compras de alimentos feitas pela Prefeitura de Lizarda junto a uma empresa localizada no Maranhão serão investigadas pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO). Os pagamentos chegaram a R$ 249,9 mil e chamaram atenção porque parte das despesas aparece vinculada a uma casa de apoio que, segundo denúncia apresentada por vereadores, estaria fechada desde novembro de 2024.
O caso foi levado ao MPTO pelos vereadores Fábio Brito Diamantino e Rubens Bezerra da Silva. A apuração envolve a empresa Karine Tavares S. Ladeira, conhecida como Mix Supermercado, sediada em Alto Parnaíba (MA), a mais de 110 quilômetros de Lizarda.
Entre abril e outubro de 2025, foram liquidados R$ 174.696,24 para gêneros alimentícios registrados como destinados à “Casa de Apoio de Lizarda”. O problema apontado pelos parlamentares é que, nesse período, o local já estaria sem funcionar havia meses.
Os registros mencionados pelo Ministério Público mostram ainda que despesas com a mesma empresa continuaram durante 2025 e 2026. Somados, os pagamentos alcançaram R$ 249.944,68.
Agora, a investigação deverá buscar respostas sobre o destino das mercadorias: se os alimentos foram efetivamente entregues, quem recebeu os produtos e para quais unidades eles foram encaminhados.
O fato de a empresa estar localizada em outro estado não representa, por si só, irregularidade.
Prefeitura diz que houve erro no lançamento
A Prefeitura de Lizarda já apresentou uma explicação ao Ministério Público. Conforme manifestação do secretário municipal de Administração citada na portaria, as compras foram feitas por meio do Credenciamento nº 001/2025 e ocorreram regularmente.
Segundo a versão da gestão, a indicação da “Casa de Apoio de Lizarda” nos registros foi resultado de um erro material de lançamento. O município também sustenta que não houve prejuízo aos cofres públicos.
A justificativa ainda será confrontada com a documentação das compras. O MPTO deverá analisar notas fiscais, empenhos, liquidações, comprovantes de entrega e outros registros para verificar o caminho dos produtos adquiridos.
MP vai aprofundar apuração
Diante dos questionamentos, a notícia de fato foi convertida em procedimento preparatório. A investigação foi formalizada pela Portaria nº 4.920/2026, assinada pelo promotor João Edson de Souza em 19 de agosto e publicada no dia seguinte.
O procedimento está em fase inicial. Até o momento, não há comprovação de que os alimentos não tenham sido entregues, nem agentes públicos individualmente responsabilizados ou ação judicial decorrente do caso.
Caso sejam encontradas irregularidades, o MPTO aponta que os fatos poderão levar à apuração de eventual dano ao erário, enriquecimento ilícito ou violação aos princípios da administração pública.
A investigação tramita sob o número 2026.0006805. A Prefeitura sustenta a regularidade das compras, e o espaço permanece aberto para manifestação da empresa citada.