Pequi vira dinheiro: cidade do Tocantins lança moeda própria para movimentar comércio

O dinheiro que circular pelo comércio de Pequizeiro poderá ganhar uma versão própria a partir desta sexta-feira, 21. O município, no oeste do Tocantins, lança a Pequi (Pq), moeda social que terá o mesmo valor do real, mas circulação restrita à cidade.

Na prática, 1 Pequi valerá R$ 1. A diferença é que a moeda será utilizada somente entre moradores, comerciantes, produtores e prestadores de serviços que participarem da rede local. A estratégia é fazer com que parte do dinheiro permaneça por mais tempo movimentando a economia de Pequizeiro.

O lançamento ocorre às 8h30, no Salão de Eventos Maria da Anunciação, junto com a inauguração do Banco Municipal de Pequizeiro (BMP), estrutura responsável pela operação do novo sistema.

A moeda foi criada pela Lei Municipal nº 523, de outubro de 2025. Com ela, um morador que receber determinado benefício em Pequi, por exemplo, poderá gastar o valor em um mercado credenciado. O comerciante poderá usar o mesmo recurso posteriormente para pagar outro fornecedor ou prestador participante da rede.

A circulação fica, portanto, concentrada no próprio município. A aposta é reduzir a saída imediata de dinheiro para outras cidades e aumentar o movimento principalmente entre pequenos negócios, trabalhadores autônomos e produtores rurais.

De aplicativo a microcrédito

A operação não ficará restrita a uma moeda física. O Banco Municipal deverá contar com plataforma digital, aplicativo e cartões para movimentação dos valores.

Também estão previstos serviços como microcrédito, financiamento para pequenos produtores e empreendedores e pagamento de benefícios e auxílios sociais. A proposta inclui ampliar o acesso a serviços financeiros entre moradores que encontram dificuldades no sistema bancário tradicional.

A entrada na rede será voluntária e poderá envolver moradores, micro e pequenas empresas, associações, produtores rurais, profissionais autônomos, organizações da sociedade civil e servidores públicos municipais.

Servidor poderá receber bônus em Pequi

A legislação também abriu a possibilidade de servidores municipais receberem bonificações na moeda local, desde que façam a adesão voluntariamente.

Os valores poderão estar relacionados a critérios como produtividade, desempenho, capacitação, assiduidade, pontualidade e participação em projetos. Pela lei, esses pagamentos não terão natureza salarial.

Outra frente será o Pequi Solidário, voltado a famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Cadastro Único. Entre as exigências previstas estão renda per capita de até meio salário mínimo e residência no município há pelo menos dois anos.

Além dos benefícios pagos prioritariamente na moeda social, o programa prevê capacitação para atividades produtivas e empreendedorismo, acompanhamento técnico e acesso a microcrédito.

Município destinará 1% da arrecadação ao fundo

Para sustentar a operação, Pequizeiro criou o Fundo Municipal da Moeda Social Pequi. Uma das fontes previstas é 1% da arrecadação mensal do município.

O fundo também poderá receber recursos de convênios, emendas parlamentares, programas governamentais, parcerias e doações. O dinheiro dará lastro à moeda e poderá financiar iniciativas de geração de renda, qualificação profissional e apoio aos pequenos negócios.

A fiscalização ficará a cargo de um conselho gestor com representantes do Executivo, Legislativo, setor empresarial e sociedade civil. O Banco Municipal terá de apresentar prestações de contas trimestrais ao colegiado e anuais à Câmara Municipal, além de disponibilizar informações no Portal da Transparência.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins