Novo romance de escritora do TO investiga memória, religiosidade popular e resistência feminina no sertão

A escritora, pesquisadora e doutoranda em Letras Lita Maria apresenta ao público o romance “A Casa de Todos os Santos”, terceiro livro do projeto literário “Ciclo de Vozes do Sertão”. A obra dá continuidade ao universo ficcional construído pela autora a partir de pesquisas sobre memória, ancestralidade, oralidade, religiosidade popular e relações afetivas no sertão brasileiro.

O romance acompanha a trajetória de Maria Angelita de Todos os Santos, conhecida como Cota, personagem que cresce entre a casa da mãe lavadeira e a convivência com uma família de posses. Ao longo da narrativa, sua vida atravessa relações de poder, antigas currutelas, casas de tolerância, práticas religiosas e redes femininas de solidariedade, revelando as estratégias de resistência de mulheres historicamente silenciadas.

Uma narrativa de memória e pertencimento no sertão

Com prosa lírica e forte presença da oralidade, “A Casa de Todos os Santos” aborda temas como maternidade, desejo, violência, memória e pertencimento, tendo o sertão não apenas como cenário, mas como um território simbólico construído pelas experiências femininas, pela ancestralidade e pelas permanências sociais do interior brasileiro.

A obra integra uma pesquisa literária desenvolvida por Lita Maria desde o mestrado e atualmente aprofundada no doutorado em Letras, com ênfase em Estudos Literários e Escrita Criativa. O romance também amplia o projeto autoral que será concluído com o quarto livro, “Mulher de Currutela”, atualmente em fase de elaboração.

Sucessos anteriores

Os dois primeiros romances do ciclo, “O Canto da Carpideira” e “Sobre Dora e Dores”, já integraram listas de leitura de vestibulares da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e do Exame de Acesso ao Ensino Superior do Tocantins (Exato). O livro “Sobre Dora e Dores” está em processo de adaptação para o cinema pela Cenaberta Produções, com lançamento previsto para 2027 e participação da atriz Marcélia Cartaxo, que interpretou a personagem principal, Macabéa, no longa “A Hora da Estrela”, adaptação cinematográfica do romance homônimo da escritora Clarice Lispector, dirigido por Suzana Amaral.

Em processo de lançamento, “A Casa de Todos os Santos” já circula nos estados de Goiás e Tocantins, consolidando a trajetória literária da autora e ampliando um projeto que tem como eixo a memória, o corpo feminino, a oralidade e as múltiplas formas de existência das mulheres sertanejas.

Sobre a autora

Lita Maria é escritora, mestre e doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Tocantins (PPGLetras/UFT), na área de Estudos Literários, com ênfase em Escrita Criativa. Também possui formação em Psicologia, Licenciatura em Língua Portuguesa e especialização em Gestão Pública.

É autora do projeto literário “Ciclo de Vozes do Sertão”, composto pelos romances “O Canto da Carpideira”, “Sobre Dora e Dores”, “A Casa de Todos os Santos” e “Mulher de Currutela”, este último em desenvolvimento. As obras dialogam entre si por meio do protagonismo feminino, da valorização da oralidade, da ancestralidade e das heranças afetivas e sociais que atravessam gerações.

Sua produção já circula em clubes de leitura e no meio acadêmico. Lita Maria integra diversas academias de letras e é associada à União Brasileira de Escritores (UBE – seção Goiás). Nascida em Turvânia (GO), vive entre Palmas (TO) e Goiânia (GO).

Sinopse

No coração do sertão ergue-se “A Casa de Todos os Santos”, um lugar cercado por silêncio, promessas e segredos que atravessam gerações.

Cota, Maria Angelita de Todos os Santos, cresce entre perdas, afetos interrompidos e alianças silenciosas. Dividida entre a casa humilde da mãe lavadeira e a convivência com a família de Romeão e Gemma, ela percorre um caminho marcado por desigualdades, religiosidade, desejo, culpa e sobrevivência.

Ao lado da irmã Benigna, da prima Efigênia e de outras mulheres moldadas pelas imposições de seu tempo, Cota enfrenta um universo em que honra, casamento e maternidade definem destinos. Com linguagem poética e intensa densidade emocional, Lita Maria constrói um romance em que o sertão se torna personagem, e a casa simboliza permanência, memória e reinvenção.

A obra conta com prefácio das pesquisadoras Roseli Bodnar e Márcia Regina Schwertner e capa assinada pela artista visual Lu Valverdi.