
O Tocantins deve enfrentar um segundo semestre de 2026 marcado por calor intenso, chuvas irregulares e aumento do risco de queimadas com a possível chegada de um novo fenômeno El Niño.
Segundo nota técnica conjunta elaborada pelo INPE, INMET, Funceme e Censipam, há mais de 80% de probabilidade de o El Niño se consolidar ainda neste ano, com chances superiores a 90% a partir de agosto. A tendência é que o fenômeno climático permaneça ativo até o início de 2027.
O Tocantins aparece dentro da área de impacto prevista para a região Norte, onde os efeitos esperados incluem prolongamento da estação seca, redução no volume de chuvas e maior risco de incêndios florestais.
De acordo com os dados divulgados pelos órgãos meteorológicos, um dos principais sinais de alerta vem do Oceano Pacífico Equatorial. As águas subsuperficiais já registram anomalias de temperatura de até 4°C acima do normal em profundidades próximas de 300 metros, um dos maiores aquecimentos precursores monitorados nos últimos anos.
Na prática, o cenário pode representar um período ainda mais crítico para o Tocantins, estado que já convive anualmente com focos de incêndio, baixa umidade do ar e fumaça durante os meses mais secos.
Em eventos fortes de El Niño registrados anteriormente, a incidência de fogo na Amazônia chegou a aumentar 36% acima da média histórica. Como o Tocantins está inserido na área de transição entre Cerrado e Amazônia Legal, especialistas alertam para possibilidade de agravamento das queimadas e impactos ambientais.
Além do risco de incêndios, a previsão aponta para temperaturas acima da média em boa parte do Centro-Norte do Brasil. O calor mais intenso também pode afetar reservatórios, produção agrícola, qualidade do ar e provocar aumento no consumo de energia elétrica.
O documento técnico ainda destaca que os efeitos do El Niño podem variar ao longo dos próximos meses, especialmente por influência do Atlântico Tropical, que também interfere diretamente no regime de chuvas do Brasil.
Apesar disso, os meteorologistas afirmam que o atual comportamento do Pacífico já acendeu um sinal de atenção para estados como o Tocantins, onde a combinação entre seca prolongada, vegetação ressecada e altas temperaturas costuma favorecer incêndios de grandes proporções.
Nos próximos meses, os órgãos de monitoramento climático devem atualizar os prognósticos para definir a intensidade do fenômeno e seus possíveis reflexos mais específicos sobre o estado.