
As pancadas de chuva que surpreenderam moradores de várias cidades do Tocantins em pleno mês de julho fugiram do padrão climático esperado para esta época do ano. Em meio ao período de estiagem, municípios do centro e do sul do estado voltaram a registrar precipitações e até ventos fortes, um cenário considerado incomum pelos meteorologistas.
Segundo a meteorologista Elizabete Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno está relacionado à atuação de uma corrente de jato em médios e altos níveis da atmosfera, responsável por transportar umidade da região Amazônica em direção ao Tocantins, além de áreas do Maranhão e do Pará. A combinação dessa umidade com o calor intenso favoreceu a formação das instabilidades que provocaram as chuvas.
Embora o norte do estado costume registrar episódios isolados de chuva durante julho, o comportamento observado neste ano chamou a atenção pela abrangência e por atingir regiões onde esse tipo de ocorrência é bastante raro.
No centro-sul tocantinense, por exemplo, julho normalmente é marcado por tempo seco. Um dos casos citados pela meteorologista é o de Taguatinga, que, antes deste ano, havia registrado chuva no mês apenas em 2002, quando o acumulado foi de 2,6 milímetros. Já em Araguaína, no norte do estado, houve registro de 36,9 milímetros em julho de 2021, mostrando que esse tipo de precipitação é mais frequente naquela região.
A diferença entre as áreas do estado também está ligada à influência da umidade amazônica. O Bico do Papagaio e municípios mais ao norte recebem com maior facilidade esses corredores de umidade, o que aumenta a possibilidade de chuvas ocasionais mesmo durante a estação seca.
A meteorologista também esclarece que o comportamento observado neste mês não está relacionado diretamente à atuação do El Niño. O fenômeno registrado resulta de condições atmosféricas específicas, associadas à circulação dos ventos em altitude, e não de um evento climático de grande escala.
Apesar das chuvas recentes, a tendência é que o Tocantins volte gradualmente ao padrão típico da estação. A previsão é de predominância do tempo seco nas próximas semanas, com baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas, embora episódios isolados de instabilidade ainda possam ocorrer, principalmente nas regiões mais ao norte do estado.