
“Não vou deixar venderem o Tocantins.” A declaração de Paulo Mourão, candidato do PT ao Senado e integrante do grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins, coloca no centro do debate eleitoral uma das maiores riquezas estratégicas do país: as terras raras.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com aproximadamente 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. O potencial desses minerais é considerado estratégico para setores como tecnologia, energia, indústria, veículos elétricos e defesa.
Para Mourão, a discussão não pode ser reduzida à simples exploração e exportação da matéria-prima. O desafio, segundo ele, é garantir que a riqueza existente no subsolo brasileiro e, especialmente, o potencial mineral do Tocantins, seja transformada em empregos, renda, tecnologia e desenvolvimento.
A preocupação ganha força justamente no momento em que o Brasil começa a discutir uma nova política para minerais críticos e estratégicos. O Congresso aprovou recentemente um marco legal para o setor, com previsão de incentivos para pesquisa, extração, processamento e industrialização desses recursos.
A lógica defendida por Mourão acompanha uma preocupação que também vem sendo levantada pelo presidente Lula. No pronunciamento de 7 de Setembro, Lula destacou as terras raras entre as riquezas estratégicas do Brasil e defendeu que esses recursos sejam utilizados para gerar tecnologia e empregos de qualidade para o povo brasileiro.
É nesse ponto que Paulo Mourão pretende levar a discussão para o Tocantins. Para o petista, o Estado não pode assistir à retirada de suas riquezas naturais sem participar de forma efetiva da cadeia de desenvolvimento produzida por elas.
A exploração mineral, na visão defendida por Mourão, precisa estar acompanhada de industrialização, qualificação profissional, geração de empregos e investimentos capazes de fazer com que uma parcela maior da riqueza permaneça no território.
O Brasil tem enorme vantagem geológica, mas ainda transforma pouco desse potencial em produtos de maior valor agregado. Em 2025, o país produziu cerca de 2 mil toneladas de terras raras, enquanto a China produziu aproximadamente 270 mil toneladas. Estudos citados no debate sobre a nova política mineral estimam que uma estratégia voltada à industrialização pode gerar centenas de milhares de empregos nas próximas décadas.
Para Mourão, portanto, o debate é também sobre soberania.
A pergunta é quem vai controlar e quem vai se beneficiar de uma riqueza que pode ser decisiva para a economia das próximas décadas.
“Não vou deixar venderem o Tocantins”, afirma Mourão, defendendo que as riquezas minerais do Estado não sejam tratadas apenas como oportunidade de negócio, mas como instrumento de desenvolvimento e melhoria da vida da população.
A posição reforça o discurso do candidato do PT de que o Tocantins precisa estar inserido na agenda nacional de desenvolvimento defendida pelo governo Lula, mas sem abrir mão de garantir que os benefícios econômicos cheguem diretamente à população tocantinense.