Saúde mental - Foto: Depositphotos.com
Saúde mental - Foto: Depositphotos.com

O Brasil enfrenta uma silenciosa epidemia de adoecimento mental relacionada ao trabalho. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado no país e um aumento de 16% em relação ao ano anterior.

Ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais lideram as causas dos afastamentos. As mulheres representam 63% dos casos e a média de idade dos trabalhadores afastados é de 41 anos. Em muitos casos, o período longe das atividades profissionais ultrapassa três meses.

Embora os estados do Sul e Sudeste liderem as estatísticas nacionais, especialistas alertam que os números menores registrados na Região Norte não significam necessariamente uma população mais saudável. A menor cobertura previdenciária, a informalidade e a subnotificação podem mascarar uma realidade preocupante.

No Tocantins, onde o mercado de trabalho é fortemente concentrado nos setores de serviços, comércio e administração pública, o debate ganha cada vez mais relevância. Profissionais da área de saúde mental apontam que fatores como sobrecarga, pressão por resultados, insegurança profissional, assédio moral e jornadas exaustivas têm impactado diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores.

A preocupação se torna ainda mais urgente diante da entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em 26 de maio deste ano. A mudança obriga empresas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, reconhecendo oficialmente que o trabalho também pode ser um fator de adoecimento.

O impacto econômico também chama atenção. Apenas em 2025, os afastamentos por transtornos mentais geraram um custo de aproximadamente R$ 954 milhões aos cofres públicos.

Para psicólogos e especialistas, a prevenção precisa deixar de ser vista como um benefício e passar a ser encarada como uma estratégia de gestão e um direito do trabalhador. A criação de ambientes saudáveis, espaços de escuta, políticas de acolhimento e capacitação de lideranças são apontadas como medidas fundamentais para reduzir os índices de adoecimento.

No Tocantins, a discussão surge em um momento importante, especialmente diante dos desafios enfrentados por servidores públicos, profissionais da saúde, educação e trabalhadores do setor privado. O avanço das exigências legais e o crescimento dos casos colocam a saúde mental no centro da agenda das organizações.

Mais do que números, os dados revelam uma realidade que muitas vezes permanece invisível: milhares de trabalhadores adoecendo em silêncio. O desafio agora é transformar a conscientização em ações concretas para evitar que o ambiente de trabalho continue sendo uma das principais fontes de sofrimento emocional da população.