A inteligência emocional também estará nas urnas

Há uma qualidade que costuma ser pouco lembrada nas eleições, mas que, na prática, separa grandes líderes de candidatos comuns: inteligência emocional.

E, sinceramente, ela já começou a fazer falta.

Ainda estamos na pré-campanha e os bastidores já acumulam relatos de frases atravessadas, reações desproporcionais, recados indiretos e pequenas disputas de ego que não ajudam ninguém. Parece que, para alguns, qualquer divergência precisa virar confronto. Não precisa.

Política é disputa. Nunca foi terapia em grupo. O contraditório faz parte e o embate de ideias é saudável. O problema começa quando a política deixa de discutir projetos para alimentar ressentimentos pessoais.

Quem perde com isso é o debate.

Há pré-candidatos que ainda confundem firmeza com grosseria. Acham que responder atravessado demonstra liderança. Não demonstra. Apenas revela dificuldade de lidar com pressão — justamente a matéria-prima de quem pretende governar um Estado.

A inteligência emocional não será exigida apenas nos debates ou diante dos adversários. Ela será testada todos os dias, dentro das próprias campanhas. Na relação com quem comunica, com quem mobiliza, com quem organiza agendas, com quem dedica horas do seu tempo acreditando em um projeto.

Campanha não é quartel. Equipe não é plateia. E ninguém permanece motivado apenas porque recebe ordens.

Há um detalhe curioso na política: muitos candidatos cobram lealdade absoluta, mas oferecem pouca escuta. Exigem comprometimento, mas têm enorme dificuldade em ouvir uma opinião diferente da sua. Cercam-se de pessoas que apenas concordam. Pode parecer confortável. Normalmente, é o caminho mais curto para os erros.

O eleitor também percebe isso. Talvez não conheça os bastidores, mas identifica rapidamente quem transmite equilíbrio e quem vive reagindo por impulso. Em uma eleição cada vez mais exposta pelas redes sociais, temperamento virou ativo político. E descontrole também.

Quem pretende administrar conflitos de um Estado precisa, antes, demonstrar que consegue administrar os próprios.

No fim das contas, uma campanha dura alguns meses. As palavras ditas durante ela permanecem por muito mais tempo. Os aliados de hoje podem ser os parceiros de amanhã. Os adversários de agora podem estar na mesma mesa depois da posse.

Por isso, vale um lembrete simples, mas necessário: inteligência emocional não é sinal de fraqueza. Na política, quase sempre é demonstração de força.