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Em toda eleição, campanhas planejam palcos, iluminação, sonorização, transmissão ao vivo, recepção de lideranças e mobilização de militantes. Mas um aspecto essencial ainda costuma ser tratado como detalhe: as condições de trabalho da imprensa.

Convenções partidárias são eventos de interesse público. Não pertencem apenas aos partidos, tampouco às campanhas. São o momento em que decisões que impactam diretamente a vida política do Estado são oficializadas e apresentadas aos eleitores. É justamente por isso que a cobertura jornalística precisa ser tratada como parte da organização, e não como um problema a ser administrado durante o evento.

Garantir um espaço adequado para jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e equipes de audiovisual não é um gesto de gentileza. É reconhecer o papel constitucional da imprensa de informar a sociedade com qualidade, precisão e independência. Sem visibilidade, sem acesso e sem estrutura mínima, quem perde não é o veículo de comunicação. É o cidadão, que deixa de receber uma cobertura completa e qualificada.

As equipes de comunicação das campanhas também precisam compreender que a imprensa não está presente para promover candidatos, mas para cumprir sua função pública: perguntar, registrar, contextualizar, fiscalizar e levar ao eleitor as propostas, os discursos e os compromissos assumidos por quem disputa um mandato.

É inadmissível que, em 2026, eventos que movimentam centenas ou milhares de pessoas ainda releguem os profissionais da imprensa a espaços improvisados, sem condições técnicas para fotografar, gravar, transmitir ou entrevistar. A qualidade da cobertura começa muito antes da primeira entrevista: ela nasce no planejamento.

Respeitar a imprensa é respeitar o direito à informação. E uma eleição forte se constrói não apenas com grandes públicos ou belas imagens de palco, mas também com transparência, acesso e condições para que o jornalismo exerça, plenamente, o seu papel.