Siqueira Campos
Siqueira Campos

Maju Cotrim

Há líderes que ocupam cargos. Há outros que ocupam a história.

Três anos após a morte de Siqueira Campos, o Tocantins continua pronunciando seu nome no presente.

Isso diz muito.

Em um Estado acostumado à velocidade da política, onde personagens surgem e desaparecem a cada eleição, poucos permanecem vivos no imaginário coletivo. Siqueira permanece.

Permanece porque sua história ultrapassou mandatos. Porque seus acertos, seus enfrentamentos, sua coragem e sua capacidade de sonhar um Estado onde antes havia apenas um mapa em construção transformaram sua trajetória em patrimônio político do Tocantins.

Não é coincidência que suas ideias continuem ecoando nos discursos das principais lideranças do Estado.

O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, naturalmente carrega esse legado como filho, mas também como gestor que herdou a responsabilidade de governar a cidade que simboliza a maior obra do pai. O senador Eduardo Gomes frequentemente resgata o pensamento de Siqueira ao defender projetos para o desenvolvimento do Estado. A senadora Professora Dorinha também faz referências constantes à sua visão estratégica e à importância de sua contribuição para a consolidação do Tocantins. Outros líderes, de diferentes partidos e gerações, seguem recorrendo à memória de Siqueira quando falam sobre futuro.

Isso acontece porque algumas lideranças deixam apenas lembranças. Outras deixam direção.

Siqueira continua oferecendo uma direção.

Sua maior herança talvez não seja uma obra física. Nem um mandato. Nem uma eleição vencida.

Sua maior herança foi convencer uma geração inteira de que o Tocantins poderia pensar grande.

Foi fazer um povo acreditar que era possível construir uma capital no coração do Brasil. Integrar regiões isoladas. Criar identidade para um Estado jovem. Planejar décadas à frente quando muitos ainda enxergavam apenas o próximo mandato.

É justamente por isso que, três anos depois de sua partida, seus ideais continuam sendo revisitados.

Siqueira Campos

O tempo costuma ser implacável com a política. Ele reduz discursos vazios, desmonta narrativas artificiais e preserva apenas aquilo que realmente ajudou a transformar a realidade.

Siqueira resistiu ao tempo.

Hoje, sua presença já não depende da política institucional. Ela está na memória coletiva do Tocantins. Está na paisagem de Palmas. Está na história ensinada às novas gerações. Está nas referências feitas por aliados, antigos adversários e por quem compreende que não existe futuro sólido sem respeito à própria história.

O Tocantins ainda enfrenta enormes desafios. Crescer, reduzir desigualdades, integrar regiões, gerar oportunidades e fortalecer sua identidade continuam sendo tarefas permanentes.

Curiosamente, muitas delas também eram os sonhos de Siqueira.

Talvez seja essa a maior prova de que algumas pessoas não desaparecem quando morrem.

Elas permanecem porque suas ideias continuam caminhando.

Três anos depois, o homem partiu.

Mas o idealizador do Tocantins continua vivo na história, na memória e, principalmente, nos sonhos que ainda movem este Estado.

Maju Cotrim
Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!