Em Palmas, Ministro defende fim da escala 6x1 e diz que recorde de empregos é fruto das políticas do governo Lula

Brener Nunes- Gazeta do Cerrado

Durante a inauguração da Casa do Trabalhador, em Palmas, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o Brasil vive o melhor momento da história em relação aos índices de emprego formal e atribuiu os resultados às políticas implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, o ministro também fez uma defesa enfática da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial.

Ao destacar o cenário econômico nacional, Marinho afirmou que o país atravessa um período de expansão econômica aliado à transformação do mercado de trabalho.

“Vivemos a menor taxa de desemprego da história do Brasil. Hoje temos quase 50 milhões de trabalhadores formalizados, com carteira assinada e direitos garantidos”, afirmou.

O ministro relembrou os números registrados durante os primeiros governos de Lula e comparou com o cenário atual. Segundo ele, o estoque de empregos formais no país saltou de cerca de 21 milhões em 2003 para quase 50 milhões atualmente.

Marinho também destacou o desempenho do Tocantins, classificando o estado como uma região estratégica para o desenvolvimento nacional. Segundo ele, o crescimento econômico local abre espaço para uma nova etapa voltada à industrialização.

“O Tocantins cresceu, gerou emprego e desenvolvimento. Seguramente a nova fase será a industrialização do estado. E podem contar com o governo do Brasil, presidido pelo presidente Lula, para essas tarefas”, declarou.

Defesa do fim da escala 6×1

Um dos pontos centrais do discurso foi a defesa da Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e extingue o modelo de escala 6×1, no qual o trabalhador descansa apenas um dia após seis dias consecutivos de trabalho.

Segundo o ministro, a mudança atende a uma reivindicação crescente de trabalhadores em todo o país. “A mulher trabalhadora e o jovem trabalhador têm gritado muito e pedido mudanças no ambiente de trabalho. A escala 6×1 tem gerado adoecimento, estresse e sofrimento para muita gente”, afirmou.

Marinho argumentou que a proposta não beneficiaria apenas os trabalhadores, mas também as próprias empresas. De acordo com ele, muitas vagas permanecem abertas porque empregadores enfrentam dificuldades para contratar profissionais dispostos a trabalhar sob esse regime.

“As empresas que mantêm essa escala não estão conseguindo preencher vagas e enfrentam altos índices de afastamento por adoecimento. Isso gera custos para as empresas, para o SUS e para a Previdência Social”, disse.

O ministro afirmou que a proposta já recebeu apoio na Câmara dos Deputados e cobrou mobilização para que a matéria avance no Senado Federal. Durante o discurso, ele citou nominalmente os senadores tocantinenses e pediu apoio à pauta. “Os trabalhadores brasileiros precisam de pelo menos dois dias de descanso por semana. É preciso que o Senado também escute esse grito”, declarou.

Valorização do salário mínimo e fortalecimento da renda

Ao longo da fala, Luiz Marinho também destacou a política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo federal e defendeu o fortalecimento das negociações coletivas entre empresas e trabalhadores. “O Brasil vem crescendo, gerando emprego de qualidade e ampliando a renda. Mas ainda temos espaço para avançar. É preciso valorizar os pisos salariais e fortalecer a negociação coletiva para que mais famílias tenham capacidade de consumo”, afirmou.

Segundo ele, o aumento da renda dos trabalhadores impulsiona a economia, estimula a geração de empregos e contribui para um ciclo sustentável de crescimento.

Qualificação digital como desafio

Outro tema abordado pelo ministro foi a necessidade de preparar os trabalhadores para as transformações tecnológicas do mercado.

Marinho alertou que a alfabetização digital se tornou um requisito básico para a inserção profissional e defendeu investimentos em capacitação tecnológica. “Quem não tiver minimamente letramento digital estará totalmente fora do mercado de trabalho. É obrigação dos gestores públicos criar oportunidades para que as pessoas adquiram esse conhecimento”, afirmou.

Ele ressaltou que muitos jovens dominam as redes sociais, mas ainda encontram dificuldades para utilizar ferramentas digitais exigidas em atividades profissionais. “O mercado exige muito mais do que saber usar redes sociais. Precisamos preparar nossa juventude para trabalhar com tecnologia, conhecimento e inovação”, disse.

Defesa da democracia e das parcerias federativas

Na parte final do discurso, o ministro também ressaltou a importância das instituições democráticas e da cooperação entre União, estados e municípios para a implementação de políticas públicas.

Segundo ele, programas federais só alcançam resultados efetivos quando executados em parceria com os governos estaduais e municipais. “O governo federal não realiza sozinho as políticas públicas. É nos municípios e nos estados que elas chegam à população. É no território que elas acontecem”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, Luiz Marinho transmitiu uma mensagem do presidente Lula aos tocantinenses e reforçou o compromisso do governo federal com o desenvolvimento do estado. “Trago um abraço do presidente Lula a todos vocês. Digam ao governador que o governo do Brasil está à disposição para todas as políticas públicas que sejam para o bem do povo do Tocantins”, concluiu.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins