
Maju Cotrim
A disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado começa a revelar uma estratégia conhecida: à medida que Eduardo Gomes consolida sua liderança nas pesquisas, aumentam também as tentativas de reduzir, relativizar ou desconstruir os resultados de seu mandato.
O movimento é até compreensível do ponto de vista eleitoral. Quem lidera passa a ser o principal alvo de quem precisa crescer. Mas o debate público não pode ser construído pela negação da realidade. Uma coisa é questionar prioridades, cobrar explicações e apresentar alternativas. Outra, muito diferente, é tentar apagar benefícios que efetivamente chegaram à população por meio de um mandato.
Eduardo Gomes tem conduzido sua campanha apresentando aquilo que realizou ao longo dos últimos oito anos. É uma escolha natural para quem busca a reeleição: prestar contas, mostrar resultados e submeter sua trajetória à avaliação dos tocantinenses. Cabe ao eleitor decidir se o trabalho merece continuidade.
Nesse balanço, existem entregas concretas que não desaparecem por força da retórica eleitoral. A adutora de Novo Alegre, viabilizada com cerca de R$ 10 milhões, levou água potável a uma população que esperou décadas por uma solução. Parques, praças, pavimentação, equipamentos, obras de infraestrutura e investimentos nos municípios contribuíram para ampliar a qualidade de vida em diferentes regiões do Estado.
Também há resultados que não podem ser medidos apenas em concreto ou asfalto. Os recursos destinados ao Hospital de Amor ajudaram a ampliar o atendimento a pacientes que enfrentam o câncer e fizeram dessa causa uma das marcas do mandato. O apoio à Universidade da Maturidade abriu novas possibilidades de conhecimento, convivência e valorização para milhares de pessoas idosas. São iniciativas que alcançam famílias inteiras e interferem diretamente na vida cotidiana.
Não se trata de afirmar que tudo foi feito ou que o mandato esteja imune a críticas. Nenhum agente público está acima da fiscalização, e nenhum candidato deve considerar o voto como uma dívida de gratidão. Mas reconhecer aquilo que efetivamente aconteceu é uma exigência de honestidade política.
O reconhecimento, aliás, deveria ser uma das grandes virtudes de quem sabe fazer política. Reconhecer o trabalho de alguém não significa concordar com todas as suas posições, aderir ao seu grupo ou renunciar ao direito de disputar. Significa apenas respeitar os fatos e compreender que políticas públicas bem-sucedidas pertencem à sociedade, independentemente de quem tenha viabilizado os recursos.
Por isso, o que se espera da eleição para o Senado não é uma competição para ver quem consegue diminuir mais o trabalho do outro. Espera-se que cada candidato apresente sua própria trajetória, suas propostas, sua capacidade de articulação e as condições reais que possui para representar o Tocantins durante os próximos oito anos.
A quem pretende chegar ao Senado não cabe minimizar tantos benefícios que alcançaram o Estado. Cabe mostrar o que já realizou, dizer claramente o que pretende fazer e demonstrar que tem preparo, influência e capacidade para entregar mais à população. A população está pronta para comparar!
Eduardo Gomes chega a esta eleição como o primeiro tocantinense a ocupar a vice-presidência do Senado, liderando todas as pesquisas divulgadas até aqui e sustentado por um mandato de forte presença municipalista, causas reconhecidas e investimentos espalhados pelo Estado. Essa posição naturalmente incomoda e intensifica os ataques. Entretanto, enfrentar uma candidatura consolidada exige mais do que frases de efeito ou comparações genéricas.
Exige currículo, proposta e resultado.
A boa disputa não é aquela que apaga o que já foi feito, mas a que eleva o nível daquilo que ainda precisa ser realizado. O Tocantins não ganha quando benefícios concretos são diminuídos para atender a uma estratégia eleitoral. Ganha quando todos os candidatos são obrigados a demonstrar, com fatos, o que fizeram e o que realmente têm condições de fazer.
O mandato de Eduardo Gomes pode e deve ser analisado com rigor. Mas análise séria começa pelo reconhecimento da realidade: há obras, projetos e investimentos que transformaram vidas. E aquilo que chegou à casa das pessoas como água potável, atendimento contra o câncer, infraestrutura e mais qualidade de vida não pode ser apagado por conveniência de campanha. Na dúvida sobre se foi feito muito ou pouco cabe perguntar a algum morador de Novo Alegre se a água mudou sua vida, ou a algum aluno da UMA, a famílias inteiras que se tratam no Hospital de Amor ou na Prorim… ou a muitos tocantinenses onde os benefícios chegaram através de um mandato!
Quem deseja enfrentá-lo terá de apresentar mais do que uma tentativa de desconstrução. Terá de provar, diante do eleitor, que possui trabalho, experiência e capacidade para fazer mais. E mais importante: fazer isso com números reais, valores realmente liberados e sem pegar carona ou tentar se apropriar de obras e benefícios!
Se um mandato marcado por legados permanentes tentam classificar como “pouco”, cabe perguntar qual régua está sendo usada sobretudo por quem ainda não conseguiu demonstrar, com a mesma clareza, quais benefícios concretos produziu para a população ou por quem sequer exerceu um mandato capaz de comprovar sua capacidade de entrega. A disputa pelo Senado precisa superar a retórica circunstancial dos últimos 25 dias de campanha. Em vez de tentar diminuir o que já foi feito, cada candidatura deve apresentar suas próprias credenciais, propostas e razões para conquistar a confiança do eleitor.
Porque quando o assunto é um mandato resultados podem ser debatidos, cobrados e comparados. O que não podem é ser apagados.