
O governador eleito do Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB), criticou nesta quinta-feira, 5, a situação financeira do Estado diante da suspensão de novos atendimentos eletivos por hospitais, clínicas e laboratórios privados conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao plano Servir. Durante uma visita ao Hospital Geral de Palmas (HGP), ele afirmou que o governo estadual deixou de cumprir compromissos financeiros e classificou o Tocantins como um “mau pagador”.
A declaração ocorre no mesmo dia em que entrou em vigor a suspensão anunciada pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Tocantins (Sindesto). Segundo a entidade, os prestadores acumulam aproximadamente R$ 274 milhões em valores a receber do governo estadual.
“O Estado virou um mau pagador. Não cumpre com as suas obrigações, celebra convênios com a rede privada e vai empurrando, empurrando, anunciando e fazendo reunião para marcar outras reuniões, e chega o momento que fica insustentável”, declarou Vicentinho.
O governador eleito também demonstrou preocupação com a dimensão das dívidas que poderá encontrar ao assumir o Palácio Araguaia. Segundo ele, a equipe de transição buscará informações detalhadas sobre as contas públicas, com auxílio dos órgãos de fiscalização.
“Entender esses números reais […] entender o tamanho dessa conta do Servir, que nós dizíamos à época, o tamanho da conta do sistema SUS, tamanho da conta do Igeprev, são gargalos que nós vamos ter que enfrentar agora esses meses de transição”, afirmou.
A preocupação de Vicentinho não se limita à dívida com os prestadores de serviços de saúde. Ao citar o Instituto de Gestão Previdenciária do Estado (Igeprev), o governador eleito sinalizou que pretende examinar também a situação financeira da previdência estadual antes de assumir o comando do Executivo, em janeiro de 2027.
Suspensão começou nesta quinta-feira
A paralisação dos novos atendimentos eletivos foi anunciada pelo Sindesto na quarta-feira (4), durante coletiva de imprensa em Palmas.
De acordo com o levantamento apresentado pela entidade, a dívida de aproximadamente R$ 274 milhões está dividida entre R$ 168 milhões referentes ao Servir e R$ 106 milhões relacionados aos serviços prestados ao SUS.
Os hospitais e clínicas afirmam que vêm tentando negociar os pagamentos desde julho. Em agosto, chegaram a aceitar a ampliação dos prazos de recebimento e o parcelamento de valores vencidos, mas alegam que o acordo não foi cumprido integralmente.
Com a suspensão, pacientes que ainda não iniciaram procedimentos eletivos poderão ter os atendimentos afetados, inclusive aqueles que já possuem agendamento. Os tratamentos em andamento serão mantidos, assim como os serviços de urgência e emergência, segundo o sindicato.
A entidade sustenta que os atrasos têm comprometido o funcionamento dos estabelecimentos, especialmente o pagamento de profissionais e a aquisição de medicamentos, materiais e outros insumos necessários aos atendimentos.
Governo diz que trabalha para regularizar pagamentos
Em posicionamento sobre a suspensão, as secretarias estaduais da Saúde (SES) e da Administração (Secad) informaram que trabalham para regularizar os débitos e manter o atendimento à população.
Segundo o governo, a competência de maio de 2026 dos serviços da rede complementar do SUS está em tramitação para pagamento, enquanto as anteriores já teriam sido quitadas.
Em relação ao Servir, a gestão estadual informou que ainda resta pagar aproximadamente 32% da fatura referente à competência 05, parcelada conforme acordo com a representação dos prestadores. A competência 06, segundo a Secad, foi integralmente paga.
As secretarias também afirmaram que não haviam recebido comunicação formal de paralisação por parte dos prestadores e ressaltaram que os contratos do Servir exigem aviso individual com antecedência mínima de 15 dias para eventuais interrupções.
Enquanto o governo atual sustenta que mantém negociações para regularizar os pagamentos, Vicentinho Júnior afirma que a dimensão real das obrigações financeiras do Estado será uma das questões centrais a serem enfrentadas durante a transição de governo.