Professora Iolanda entra na disputa pela presidência da Câmara e defende tirar decisões das mãos de “pequeno grupo”

A vereadora Professora Iolanda Castro (Republicanos) confirmou que vai disputar a Presidência da Câmara Municipal de Palmas e colocou a descentralização das decisões internas como uma das principais bandeiras da candidatura. Em entrevista à Gazeta do Cerrado, a parlamentar afirmou que pretende devolver protagonismo aos 23 vereadores e defendeu que projetos importantes não fiquem sujeitos à “vontade ou conveniência de um pequeno grupo”.

A candidatura movimenta a corrida pelo comando do Legislativo municipal ao colocar mais um nome na disputa pela Mesa Diretora. Iolanda, porém, rejeita a ideia de que esteja apenas ocupando um espaço alternativo entre outros grupos. “Não é uma candidatura contra ninguém, nem uma terceira via: é uma proposta própria de gestão”, afirmou.

Para a vereadora, a forma como as decisões são tomadas dentro da Câmara precisa mudar.

Iolanda afirma que pretende buscar apoio individualmente entre todos os parlamentares e apresentar um modelo no qual a Presidência tenha menos concentração de poder. “Quero apresentar aos colegas um projeto de Câmara mais participativa, em que as decisões importantes não fiquem concentradas na Presidência, em que cada vereador seja respeitado em sua representatividade e tenha condições de exercer plenamente o mandato que recebeu da população”, disse.

Na avaliação da parlamentar, o comando da Casa deve servir como instrumento para fortalecer os mandatos, e não se sobrepor a eles. “A Presidência não pode ser maior do que o Parlamento. Minha proposta é justamente fortalecer o Parlamento”, completou.

Para transformar a candidatura em maioria, Iolanda terá que conquistar pelo menos parte significativa dos 23 integrantes da Casa. Questionada pela Gazeta sobre como pretende construir esse apoio, ela evitou delimitar previamente um grupo.

“Vou conversar com os 23 vereadores e trabalhar para construir o apoio da maioria da Casa, sempre com respeito a cada parlamentar e às diferentes posições”, respondeu.

Segundo ela, a articulação não deve terminar com a eleição da Mesa. A intenção é manter uma Presidência capaz de reunir diferentes grupos e construir acordos ao longo do mandato.

Relação com Eduardo: parceria, mas com autonomia

A relação com a gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos também entra na equação política da eleição.

Iolanda disse à Gazeta que, caso chegue à Presidência, pretende manter diálogo e parceria institucional com o Executivo, mas defendeu que a Câmara preserve sua independência.

“Defendo uma relação de diálogo, confiança e parceria institucional com o prefeito Eduardo, preservando ao mesmo tempo a autonomia e as prerrogativas do Poder Legislativo”, afirmou.

Para ela, a Câmara deve apoiar propostas do Executivo que tragam benefícios à cidade sem abrir mão da fiscalização. “A Câmara deve colaborar com o Executivo nas pautas que beneficiem Palmas, exercer sua função fiscalizadora com responsabilidade e manter uma relação harmônica, madura e republicana entre os Poderes”, disse.

Ao detalhar o que faria de diferente caso seja escolhida para comandar a Câmara, Iolanda voltou a falar em divisão de poder.

A vereadora elencou como prioridades fortalecer as comissões e os gabinetes, melhorar o planejamento das pautas, ampliar o suporte técnico aos parlamentares e dar mais transparência à administração interna da Casa.

A declaração mais crítica, porém, veio ao falar sobre a tramitação das propostas. “Também quero que projetos relevantes deixem de depender da vontade ou da conveniência de um pequeno grupo para avançar”, afirmou.

Para Iolanda, recuperar o peso político do Legislativo passa por distribuir esse protagonismo entre todos os integrantes da Casa. “A Câmara precisa voltar a ser protagonista nas discussões da cidade, e esse protagonismo não pertence ao presidente: pertence aos 23 vereadores”, concluiu.