
O Tocantins registrou 164 mortes por suicídio em 2025, segundo dados do Mapa da Segurança Pública 2026, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2024, foram contabilizadas 155 mortes.
A taxa no Tocantins passou de 9,83 para 10,33 mortes por 100 mil habitantes, acima da taxa nacional de 7,75 por 100 mil habitantes. Em todo o país, foram registradas 16.533 mortes por suicídio em 2025, número 0,74% superior ao do ano anterior.
Os dados ajudam a dimensionar um problema de saúde pública que exige atenção permanente, acesso aos serviços especializados e fortalecimento das redes de apoio. A variação nos registros deve ser interpretada com cautela, já que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, relacionado a aspectos sociais, emocionais, econômicos e de saúde, sem uma causa única ou explicação isolada.
Para Marco Aurélio de Oliveira Martins, docente de Enfermagem da Unopar Palmas, a prevenção precisa ser tratada ao longo de todo o ano.
“O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que não pode ser atribuído a uma única causa. A prevenção envolve ampliar o acesso aos serviços de saúde, fortalecer as redes de apoio e criar condições para que as pessoas consigam falar sobre o sofrimento e buscar ajuda”, explica.
Acolhimento e atenção aos sinais
Mudanças persistentes de comportamento podem indicar que uma pessoa está passando por sofrimento emocional. Isolamento, desesperança, perda de interesse por atividades habituais, alterações intensas de humor e falas relacionadas à morte ou à ausência de perspectivas merecem atenção.
Esses sinais, entretanto, não devem ser considerados isoladamente nem utilizados para estabelecer diagnósticos. Diante de uma situação de sofrimento, a orientação é oferecer escuta sem julgamentos, evitar frases que minimizem a dor e incentivar a procura por atendimento profissional.
“Quando alguém demonstra sofrimento, é importante acolher, ouvir sem julgamentos e incentivar a procura por atendimento. Comparações com os problemas de outras pessoas podem dificultar ainda mais o pedido de ajuda”, orienta Marco Aurélio.
O cuidado pode envolver diferentes pontos da rede de saúde, desde a atenção básica até os serviços especializados e de urgência. Familiares, amigos, escolas, profissionais de saúde e comunidades também podem colaborar na identificação de situações de sofrimento e no encaminhamento para atendimento.
Embora o Setembro Amarelo amplie a discussão sobre o tema, a prevenção e o acolhimento devem ocorrer de forma contínua, com informação responsável, escuta qualificada e fortalecimento da rede de proteção.
Onde buscar ajuda
Pessoas em sofrimento emocional podem procurar:
- Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família;
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS);
- Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, gratuitamente e 24 horas por dia;
- UPA, pronto-socorro ou hospital, em situações de urgência;
- SAMU, pelo telefone 192, quando houver risco imediato.
Precisa de ajuda? O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia. Em situações de urgência ou risco imediato, procure uma UPA, pronto-socorro ou hospital, ou acione o SAMU pelo 192.