
Por Maju Cotrim
A Assembleia Legislativa do Tocantins presta nesta data uma homenagem que transcende a simbologia de um nome em um espaço físico. Ao inaugurar o anexo que passa a levar o nome de Raimundo Moreira, o Parlamento Tocantinense reconhece uma trajetória marcada pela simplicidade, pela coerência e pelo compromisso com uma das regiões mais importantes e desafiadoras do Estado: o Bico do Papagaio.
Filho de Nazaré, homem de origem simples e profundamente ligado às suas raízes, Raimundo Moreira construiu sua vida pública sem jamais se afastar do povo que o formou.
Em uma época em que a política ainda dependia muito mais da palavra empenhada do que das estratégias de marketing, Moreira conquistou respeito pela sua capacidade de dialogar, de ouvir e de defender as demandas da sua região com firmeza e autenticidade.
Na Assembleia Legislativa, sua atuação fez ecoar a voz do Bico do Papagaio. Uma voz que muitas vezes chegava carregada das necessidades de uma região distante dos grandes centros decisórios, mas que encontrou em Raimundo Moreira um representante capaz de transformar reivindicações em pautas legítimas do Parlamento. Aprendi a conhecer o Bico pelo olhar de Moreira que sempre ao chegar ao plenário vinha na Tribuna da imprensa conversar e contar suas histórias. Ele tinha prazer em contar as particularidades do Bico e um dia me disse quando presidente durante uma entrevista: “não saio do Bico e o Bico não sai de mim”.
Sua passagem pela presidência da Assembleia Legislativa também demonstrou equilíbrio, espírito conciliador e respeito à instituição. Moreira compreendia que a política não deveria servir aos interesses pessoais, mas ao fortalecimento das instituições e à melhoria da vida das pessoas. Acessível, sempre atendia a imprensa em todos os momentos, até nos mais difíceis.
Talvez por isso sua memória permaneça tão viva. Porque há políticos que ocupam cargos e há aqueles que ocupam um lugar permanente na história. Raimundo Moreira pertence a esta segunda categoria. Sua trajetória é lembrada não pelos discursos grandiosos, mas pela forma como exerceu o mandato: com humildade, seriedade e proximidade com a população.
Ao dar o nome de Moreira ao anexo da Assembleia Legislativa, o atual presidente da Assembleia, Amélio Cayres, que também é biquense, reafirma um valor que precisa ser preservado: o reconhecimento daqueles que ajudaram a construir a história do Estado sem abrir mão de suas origens. Amélio honra também o Bico ao reconhecer a trajetória de Moreira.
Que as futuras gerações que passarem pelos corredores daquele espaço possam conhecer quem foi Raimundo Moreira. Um homem de Nazaré, um representante legítimo do Bico do Papagaio e uma liderança que honrou sua terra em cada etapa da vida pública.
A homenagem é justa. A memória é merecida. E o legado permanece.
Trajetória
Raimundo nasceu em 10 de fevereiro de 1950, no distrito de Piaçava. Foi eleito prefeito de Nazaré em 1989 e permaneceu no cargo até 1992. Foi deputado estadual por cinco mandatos consecutivos e presidiu a Casa de 1997 a 1999, ocasião em que assumiu o Governo do Estado por três vezes. Em 2011 voltou a presidi-la até janeiro de 2013. Durante o último mandato ficou afastado por vários dias para tratar do câncer.
Moreira era aposentado no cargo de advogado da União, pertencendo à carreira jurídica federal. Casado com D. Rosely Borges da Conceição Araújo, com quem teve dois filhos.