Situação de ribeirão após rompimento de barragem — Foto: Divulgação/Bombeiros
Situação de ribeirão após rompimento de barragem — Foto: Divulgação/Bombeiros

Seis meses após o rompimento de uma barragem particular no Ribeirão Bonito, na zona rural de Ponte Alta do Bom Jesus, no sudoeste do Tocantins, moradores ainda aguardam respostas sobre as causas do acidente e o futuro do empreendimento. O episódio deixou um rastro de lama na região e provocou preocupação entre famílias que vivem às margens do rio.

A estrutura que se rompeu fazia parte de um vertedouro em implantação para uma central geradora hidrelétrica civil. Desde então, o empreendimento permanece embargado e com a licença ambiental suspensa pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), que também aplicou multa de R$ 1,5 milhão aos responsáveis.

Além da penalidade, o órgão determinou uma série de medidas para regularização do empreendimento. Entre elas está a elaboração de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), documento técnico voltado à recuperação de áreas afetadas no solo e na vegetação.

Na época do incidente, o Corpo de Bombeiros informou que seis residências foram atingidas pela lama e cerca de 15 pessoas precisaram deixar suas casas preventivamente. Apesar dos danos, não houve feridos nem vítimas fatais. Um dos principais pontos turísticos da região também sofreu impactos significativos.

Moradores relatam que as condições ambientais melhoraram nos últimos meses. Segundo um residente que preferiu não se identificar, a água do rio voltou à normalidade e a situação está mais estável. “Tinha sujado bastante na época e o rio tinha baixado bastante, mas agora está mais tranquilo”, afirmou.

Mesmo com a recuperação aparente do curso d’água, a insegurança permanece entre as famílias da região. Os moradores afirmam não ter recebido informações sobre os desdobramentos do caso e temem a retomada das obras sem esclarecimentos. “A gente não teve nenhum retorno das autoridades para saber o que aconteceu, se vai voltar a funcionar, se vão voltar a construir. Porque a gente que mora às margens do rio fica preocupado”, disse.

Investigação continua aberta

A Polícia Civil instaurou um inquérito em dezembro de 2025 para apurar as circunstâncias do rompimento. Perícias foram realizadas no local, mas a investigação ainda não foi concluída.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o procedimento segue em andamento, com diligências para apurar responsabilidades na esfera criminal. Até o momento, não há previsão para a conclusão do inquérito.