
A confirmação da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em um lote de água mineral da Crystal, distribuído no Tocantins acendeu um alerta entre consumidores. Mas, afinal, quais os riscos para quem consumiu a água? A contaminação significa que a pessoa ficará doente? E quais sintomas merecem atenção?
Para esclarecer essas dúvidas, a Gazeta conversou com o professor Fabyano Lopes, do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Doutor em Biologia Microbiana pela Universidade de Brasília (UnB) e atualmente em pós-doutorado em Microbiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o pesquisador explica que a bactéria não é incomum na natureza.
Segundo ele, a Pseudomonas aeruginosa é encontrada naturalmente no solo e em ambientes úmidos.
“É uma bactéria comum do solo. Principalmente em regiões como o Cerrado, ela está presente naturalmente no ambiente. Não é algo raro ou desconhecido da microbiologia”, explica.

Como identificar o produto
O lote contaminado pode ser identificado pela seguinte inscrição na embalagem: LZ1 VAL200127 3 P 200126 (ou apenas o nome do lote P 200126). As unidades foram produzidas em 20 de janeiro de 2026 e possuem validade até 20 de janeiro de 2027.
Nem todo contato causa doença
Apesar do alerta sanitário, o especialista destaca que a simples ingestão da bactéria não significa, necessariamente, o desenvolvimento de uma infecção.
“A priori, uma pessoa saudável provavelmente não terá nenhum problema. O organismo consegue lidar com esse tipo de contato sem maiores consequências”, afirma.
O cenário muda quando se trata de pessoas com o sistema imunológico debilitado. Nesses casos, a bactéria pode atuar como um patógeno oportunista, aproveitando uma condição de fragilidade do organismo para provocar infecções.
“Ela normalmente não causa doença em pessoas saudáveis. O problema maior é para quem está imunocomprometido, passando por tratamentos de saúde, enfrentando doenças que afetam a imunidade ou situações de grande fragilidade física”, explica.
Quem corre mais risco?
De acordo com Fabyano Lopes, os grupos que exigem maior atenção são:
- Crianças pequenas, que ainda estão desenvolvendo o sistema imunológico;
- Idosos, que naturalmente apresentam maior vulnerabilidade;
- Pessoas com doenças que comprometem a imunidade;
- Pacientes em tratamentos médicos que reduzam as defesas do organismo.
“Esses grupos tendem a ser mais suscetíveis aos efeitos da bactéria caso haja exposição significativa”, observa.
Quais sintomas podem aparecer?
Caso a bactéria consiga provocar uma infecção, os sintomas costumam ser semelhantes aos de outros quadros infecciosos.
Entre os principais sinais estão:
- Diarreia;
- Náuseas;
- Enjoo;
- Vômitos;
- Desconforto gastrointestinal;
- Febre.
“São sintomas relativamente genéricos, comuns a vários processos infecciosos. A febre é um dos sinais que merecem atenção especial”, explica o pesquisador.
Consumiu a água. O que fazer?
A orientação do especialista é evitar pânico.
“O primeiro passo é manter a calma e interromper imediatamente o consumo do lote contaminado”, afirma.
Depois disso, a recomendação é observar o próprio organismo. Caso surjam sintomas como febre, vômitos, náuseas ou diarreia, a pessoa deve procurar atendimento médico.
“Se houve consumo da água e os sintomas apareceram, o ideal é buscar uma unidade de saúde para avaliação. O médico poderá indicar o tratamento adequado, inclusive a necessidade ou não de antibióticos”, orienta.
Toda pessoa que consumiu a água ficará doente?
A resposta é não.
Segundo Fabyano, diversos fatores influenciam o desenvolvimento de uma infecção, incluindo idade, estado geral de saúde, imunidade e até mesmo a quantidade de bactérias presente no produto consumido.
“Quanto maior o nível de contaminação, maior a probabilidade de ocorrer algum problema. Mas isso não significa que todas as pessoas expostas desenvolverão sintomas”, explica.
Outro aspecto importante, segundo ele, é que ainda não há informações públicas detalhadas sobre a cepa específica encontrada no lote, o que impede conclusões mais precisas sobre seu potencial de resistência a medicamentos.
“Não é um caso para alarde neste momento. É uma situação que exige atenção, observação dos sintomas e acompanhamento médico se necessário”, conclui.
Quando procurar ajuda médica?
Especialistas recomendam buscar atendimento caso a pessoa tenha consumido água do lote contaminado e apresente:
✔ Febre
✔ Diarreia persistente
✔ Náuseas intensas
✔ Vômitos frequentes
✔ Dor abdominal ou desconforto gastrointestinal
Especialista pede cautela
Apesar da repercussão do caso, o pesquisador reforça que a situação deve ser acompanhada com responsabilidade, sem alarmismo.
“A orientação é observar. Quem consumiu a água deve ficar atento aos sintomas, especialmente se faz parte dos grupos mais vulneráveis. Mas não existe motivo para pânico. O mais importante é seguir as orientações das autoridades sanitárias e procurar atendimento caso algum sintoma apareça”, conclui.
O lote contaminado foi distribuído para os municípios de Arraias, Combinado e Novo Alegre, no sudeste do Tocantins. Consumidores devem verificar a identificação impressa nas embalagens e evitar o consumo caso o produto pertença ao lote recolhido.
