Eduardo Siqueira diz que prisão de secretária não prova culpa e critica investigação: “Não posso jogar a reputação dela lá embaixo”

O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, defendeu o modelo de gestão adotado nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital após a prisão da ex-secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, investigada por suspeita de fraude em um contrato de R$ 139 milhões firmado sem licitação com a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 12, o prefeito afirmou que a prefeitura não encontrou elementos que justificassem a abertura de um procedimento administrativo interno contra a ex-gestora e sustentou que as investigações não colocam em xeque o modelo de contratação adotado pelo município.

Segundo Eduardo, a administração continuará apostando na parceria com entidades para a gestão das unidades de saúde, argumentando que os primeiros resultados já seriam perceptíveis pela população.

“O modelo deu certo. Eu defendo o modelo porque hoje você encontra médicos, especialistas e unidades funcionando. Nós estamos enfrentando problemas que se arrastavam há anos, como a falta de médicos, de medicamentos e o abandono das UPAs”, afirmou.

O prefeito também declarou que a gestão acompanha o caso, mas ressaltou que não pretende antecipar julgamentos sobre a ex-secretária. Ele destacou que Dhieine já foi exonerada do cargo e que, até o momento, a prefeitura não teve acesso ao conteúdo completo da investigação.

“Eu não posso pegar uma profissional em quem eu acredito e jogar a reputação dela lá embaixo sem que ela tenha tido a oportunidade de se defender. Ela já não está mais na gestão e foi substituída”, disse.

Defesa do contrato

Ao comentar as suspeitas envolvendo a contratação da Santa Casa de Itatiba, Eduardo afirmou que críticas feitas ao contrato teriam se baseado em interpretações equivocadas dos valores envolvidos.

Segundo ele, houve comparações que consideraram apenas os pagamentos destinados aos profissionais de saúde, desconsiderando os demais custos operacionais previstos no acordo.

O prefeito também afirmou que, caso sejam identificados problemas na execução contratual, a prefeitura adotará as medidas necessárias, mas garantiu que isso não significará o abandono do modelo atualmente em vigor.

“Se houver qualquer defeito no contrato, nós vamos corrigir. Se for necessário fazer um novo chamamento, faremos. O que não muda é o modelo, porque ele está funcionando e trazendo resultados”, declarou.

Avaliação das UPAs

Durante a coletiva, Eduardo citou como exemplo a ampliação da oferta de especialistas e a redução das dificuldades enfrentadas por usuários das unidades de saúde.

Ele afirmou ainda que a prefeitura pretende ampliar os mecanismos de avaliação dos serviços, incluindo a implantação de ferramentas para que pacientes possam registrar opiniões e avaliar os atendimentos recebidos.

Segundo o prefeito, a administração acompanha indicadores de desempenho e satisfação dos usuários para monitorar a qualidade dos serviços prestados nas unidades administradas pela entidade.

Entenda o caso

Dhieine Caminski foi presa pela Polícia Civil na quarta-feira (10) durante uma operação que investiga supostas irregularidades na contratação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as UPAs Sul e Norte de Palmas.

Além dela, também foi preso o servidor Andreis Vicente da Costa. De acordo com a investigação, ele teria sido beneficiado com um veículo de luxo adquirido dois dias antes da formalização da dispensa de licitação.

A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela polícia como intermediadora do esquema investigado, é considerada foragida.

As investigações apuram suspeitas de fraude na contratação e possível favorecimento indevido relacionado ao contrato de R$ 139 milhões firmado pela Secretaria Municipal de Saúde. A defesa da ex-secretária busca reverter a prisão preventiva e contesta as acusações.