
Horas após ser alvo da Operação Sorte Falseada, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins na manhã desta sexta-feira, 26, a influenciadora digital Beth Melo se pronunciou nas redes sociais. Em vídeo publicado aos seguidores, ela afirmou que recebeu os policiais em casa, disse que colaborará com as investigações e negou ter cometido irregularidades.
Segundo Beth, os agentes cumpriram mandados de busca em sua residência, vistoriaram armários e outros cômodos da casa e explicaram o motivo da operação.
“Eu gosto de conversar com vocês para que não surjam conversas. Eles me trataram super bem, fizeram a investigação, olharam guarda-roupa, armários, abriram tudo e me explicaram certinho o que estava acontecendo”, declarou.
A influenciadora afirmou que apresentará toda a documentação solicitada com o auxílio de seus advogados e contador e disse não ter receio do andamento da investigação.
“Posso viajar tranquilamente. Vou apresentar tudo juntamente com meus advogados e meu contador. Sempre paguei meus impostos, minhas coisas sempre foram no meu nome, nunca ocultei nada. Estou aqui para contribuir com a Justiça e mostrar que sempre trabalhei corretamente”, afirmou.
Ao final do pronunciamento, Beth também comentou que já adotou medidas judiciais relacionadas ao pedido de suspensão de seu perfil nas redes sociais.
Operação investiga divulgação do “jogo do tigrinho”
A influenciadora é investigada por suspeita de promover plataformas ilegais de apostas on-line, conhecidas como “jogo do tigrinho”, além de suposta lavagem de dinheiro. A Operação Sorte Falseada foi conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), com apoio da 7ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Gurupi.
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado em março de 2024 após denúncias anônimas sobre a divulgação das plataformas de apostas em seu perfil no Instagram. As investigações apontam que a influenciadora promovia os jogos com promessas de ganhos financeiros e, em alguns vídeos, teria ameaçado pessoas que manifestavam intenção de denunciar as plataformas às autoridades.
Ainda segundo a investigação, foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de fracionamento de saques, movimentações financeiras realizadas por terceiros, utilização de empresas de fachada e contas bancárias de passagem para ocultar a origem dos recursos.
A Polícia Civil informou que as contas vinculadas à investigada movimentaram valores milionários em cerca de um ano, montante considerado incompatível com a renda formal declarada. Nesse período, ela também teria adquirido um apartamento em Palmas por aproximadamente R$ 300 mil, pago em dinheiro.
Bens bloqueados e dinheiro apreendido
Por determinação da Justiça, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além do sequestro do apartamento e do bloqueio de uma caminhonete Toyota Hilux 2024 e de uma motocicleta elétrica.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam cerca de R$ 8 mil em espécie, nove notas de dólar, cartões bancários e objetos pessoais. Também foi autorizada a extração de dados de aparelhos eletrônicos recolhidos na operação.
A Polícia Civil ainda solicitou a suspensão do perfil utilizado para divulgar as plataformas de apostas, com a preservação de todo o conteúdo publicado para continuidade das investigações.
Segundo o delegado-chefe da 1ª DEIC, Wanderson Chaves de Queiroz, os elementos reunidos até o momento apontam para um possível esquema de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Já o delegado regional Joadelson Rodrigues Albuquerque destacou que a atuação conjunta das unidades especializadas foi decisiva para o avanço das investigações.
A investigação segue em andamento e, até o momento, não há decisão judicial de mérito sobre as suspeitas atribuídas à influenciadora.