
Investigações da Polícia Civil apontam que contadores suspeitos de integrar um esquema milionário envolvendo empresas do agronegócio utilizavam pessoas como “laranjas” mediante pagamentos mensais de R$ 2 mil. Segundo a apuração, os nomes de terceiros eram usados para abrir contas bancárias que, apesar de estarem registradas em nome dos laranjas, eram controladas pelos investigados.
De acordo com a polícia, os suspeitos recorriam semanalmente aos titulares das contas para realizar reconhecimentos faciais necessários em transferências e pagamentos de valores elevados.
Os contadores são investigados por supostos crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, em um esquema que teria provocado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos.
Entre os investigados estão Paulo César Maciel dos Santos, apontado como líder do grupo, e Ítalo Paz Koche, indicado como gerente-geral do escritório de contabilidade. Paulo César é considerado foragido, enquanto Ítalo foi alvo de mandado de busca e apreensão na última terça-feira (23), em Palmas.
Segundo a investigação, Ítalo passou a ser identificado após a primeira fase da Operação El Dourado, realizada em março de 2026. A polícia afirma que ele administrava o escritório na ausência de Paulo César.
Durante a ação mais recente, foram apreendidos na residência do contador notebooks, celulares, carimbos com nomes dos investigados e duas porções de substância análoga à maconha.
Suposto uso de laranjas

Conforme a polícia, um dos envolvidos teria sido convencido por Ítalo, com auxílio de outra pessoa, a emprestar o nome para uma empresa em troca de R$ 2 mil mensais.
A investigação aponta que Ítalo e Paulo César iam até a residência do suposto laranja três ou quatro vezes por semana para realizar operações financeiras que exigiam reconhecimento facial. Após receber valor inferior ao combinado, a pessoa teria tentado deixar o esquema e passou a relatar ameaças.
Em depoimento, Ítalo confirmou que trabalhava no mesmo escritório de Paulo César e declarou prestar “serviços de T.I.”. O investigado optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.
Operação El Dourado
A Polícia Civil apura um esquema envolvendo empresas de fachada usadas para simular negociações de compra e venda de grãos, como soja e milho, com o objetivo de gerar créditos fraudulentos de ICMS.
Segundo a investigação, em seis meses uma das principais empresas envolvidas teria declarado movimentação superior a R$ 464 milhões, enquanto recolheu aproximadamente R$ 39 mil em tributos.
Na primeira fase da operação, realizada em março de 2026, a polícia cumpriu mandado de prisão preventiva em Unaí (MG) contra um dos principais suspeitos. Paulo César também teve prisão decretada, mas não foi localizado e segue foragido.
A polícia afirma ainda que empresas investigadas funcionavam com estruturas não declaradas. Ex-funcionárias relataram que eram contratadas para manter os locais abertos e criar uma aparência de funcionamento regular.