Veículos de luxo foram apreendidos durante a Operação Dolos — Foto: José Domingos/PCGO
Veículos de luxo foram apreendidos durante a Operação Dolos — Foto: José Domingos/PCGO

Uma investigação da Polícia Civil do Tocantins apura um suposto esquema de fraude que causou prejuízo de R$ 9 milhões a um empresário do Paraná. Segundo as apurações, ele foi convencido a investir em uma distribuidora de medicamentos sediada em Palmas, sob a promessa de que os recursos seriam utilizados em contratos públicos e garantiriam participação em licitações.

Na quarta-feira (24), a polícia cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nos estados do Tocantins, Goiás e Pará contra os suspeitos de integrar o grupo criminoso. Durante a operação, foram recolhidos documentos, materiais relacionados ao setor farmacêutico, veículos importados, motos aquáticas, armas de fogo e diversos bens de alto valor. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início após a denúncia apresentada pela vítima. O empresário relatou que os valores investidos seriam destinados à compra de medicamentos para atender contratos públicos nos estados da Bahia e do Acre.

As apurações conduzidas pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas) apontam que os medicamentos nunca chegaram a ser adquiridos. Em vez disso, o dinheiro teria sido desviado para a compra de imóveis, embarcações, empresas e outros bens.

Polícia apreendeu caixas de medicamentos com os suspeitos — Foto: Divulgação/PCTO

Com autorização judicial, foram determinadas medidas como quebra de sigilo de dados eletrônicos, bloqueio de contas bancárias, apreensão de patrimônio e restrições para transferência de veículos e embarcações.

Durante a operação, um dos investigados foi preso em uma chácara na zona rural de Palmas após ser encontrado com uma pistola calibre .380. Ele foi encaminhado à delegacia e autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

Segundo a polícia, o principal suspeito utilizava uma rede de empresas e terceiros para movimentar recursos e dificultar o rastreamento dos valores. Com base em dados bancários autorizados pela Justiça e outras provas reunidas ao longo da investigação, os agentes conseguiram reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro.

O investigado também já havia sido alvo de uma operação do Ministério Público do Tocantins que apura possíveis irregularidades na compra de respiradores pela Prefeitura de Gurupi durante a pandemia da Covid-19. Na ocasião, foram levantadas suspeitas de superfaturamento e contratações irregulares com recursos da saúde.

A Polícia Civil informou que continua analisando os materiais apreendidos e os dados extraídos de equipamentos eletrônicos para identificar outros envolvidos, detalhar a participação de cada suspeito e rastrear o destino dos recursos desviados.