“Eu bati muito nele, não foi pouco”: Igor Veloso confessa espancamento de menino morto em Palmas

“Eu bati muito nele lá fora, não foi pouco.” A declaração é do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, que confessou à Polícia Civil ter espancado o próprio filho, Gustavo Veloso, de 3 anos, após encontrá-lo na piscina de sua residência, em Palmas. O menino morreu em agosto deste ano, depois de passar um fim de semana na casa do pai.

Em um novo depoimento, Igor descreveu as agressões e afirmou que perdeu o controle ao descobrir que a criança havia entrado na piscina sem autorização. Segundo ele, Gustavo teria começado a se afogar e foi retirado da água pelo pai.

O advogado contou que ficou irritado com a resposta do filho ao questioná-lo sobre o ocorrido. A situação teria se agravado quando o menino disse que a mãe havia permitido que ele entrasse na piscina.

“Saiu da piscina. Como eu disse, ele me irritou profundamente, essa resposta dele, e foi onde eu agredi ele ali na área da piscina […] A segunda pior irritação é que ele disse que foi a mãe dele que deixou ele pular na piscina. A mãe dele nem lá tava”, declarou.

Na sequência, Igor admitiu que sacudiu Gustavo, provocando uma batida da cabeça contra a parede, e depois o atingiu com pisões e chutes.

“Quando eu chacoalhei ele, ele bateu a cabeça na parede, e aí eu joguei ele pra frente e dei pisões nele, pisei nas costas dele e na barriga”, relatou.

O advogado também reconheceu ter chutado o filho e relacionou as agressões aos ferimentos internos identificados posteriormente pela perícia.

“Ali eu acho que houve aquele problema no intestino. Então, eu o chutei”, afirmou.

Pai admite agressões, mas nega violência sexual

A confissão sobre o espancamento ocorre em um processo no qual Igor também é acusado de violência sexual contra a criança.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Gustavo morreu em decorrência de uma hemorragia interna causada por lesões graves em diferentes partes do corpo.

Os peritos identificaram hematomas na cabeça e no intestino, além de laceração anal. Conforme a conclusão do exame, houve violência sexual.

Igor, entretanto, negou essa acusação durante o depoimento. Ele afirmou que os ferimentos foram provocados pelas agressões físicas que admitiu ter praticado.

“Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”, declarou.

O menino foi encontrado morto em 2 de agosto de 2026. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil e resultou na prisão preventiva do pai e da madrasta, Kathellen Moreira da Silva.

A defesa de Igor informou que os fatos serão esclarecidos nos autos do processo.

Madrasta relata que tentou entrar no quarto, mas foi impedida

Outro depoimento colhido durante a investigação foi o de Kathellen Moreira, companheira de Igor à época dos fatos.

Ela afirmou que o advogado apresentava comportamento autoritário quando consumia bebidas alcoólicas e relatou momentos de tensão na residência.

Segundo a madrasta, o outro filho de Igor, de 11 anos, teria ouvido barulhos de pancadas vindos do quarto onde o pai estava com Gustavo.

Kathellen contou que tentou verificar o que acontecia, mas Igor não permitiu sua entrada.

“A gente bateu na porta, ele não abriu. Eu fui pra sala, e Igor me ligou e perguntou quem estava batendo na porta. Ele falou assim: ‘Quem está batendo nessa porta? Eu já te falei: vai cuidar da sua vida, vagabunda’”, relatou.

Depois do episódio, ela afirmou que foi dormir no quarto da filha pequena.

Na manhã seguinte, ao entrar no quarto para buscar um medicamento, disse ter visto Gustavo deitado de lado. Segundo seu depoimento, chegou a perceber um movimento nos olhos da criança, mas deixou o cômodo sem investigar a situação.

Defesa diz que madrasta não presenciou agressões

Em nota, a defesa de Kathellen contestou a interpretação de trechos de seu depoimento e afirmou que ela não presenciou nem ouviu agressões que permitissem identificar a violência contra Gustavo.

Os advogados sustentam que o espancamento descrito por Igor ocorreu na área externa da residência, enquanto Kathellen permanecia no quarto amamentando a filha.

A defesa também afirma que, posteriormente, a madrasta ouviu um barulho no quarto onde Igor estava com Gustavo, mas não conseguiu identificar sua origem.

Ao tentar entrar no cômodo, segundo a nota, ela teria sido impedida pelo companheiro, que reagiu com xingamentos e ameaças.

Os advogados afirmam ainda que Kathellen só tomou conhecimento da morte do menino no dia seguinte, quando Igor teria apresentado a versão de que a criança havia se afogado.

A defesa nega qualquer participação ou omissão criminosa da madrasta e informa que apresentará provas de sua inocência durante a ação penal.

Pai e madrasta se tornaram réus

Os depoimentos foram prestados durante a investigação, antes do indiciamento dos envolvidos, em setembro.

Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público apresentou denúncia, posteriormente recebida pela Justiça. Com isso, Igor e Kathellen passaram à condição de réus.

O pai responde às acusações de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual.

Já a madrasta é acusada de vicaricídio, por suposta omissão diante das agressões contra o enteado, e fraude processual.

Os dois permanecem presos preventivamente.

A admissão do espancamento por Igor passa a integrar o conjunto de elementos que serão analisados pela Justiça, juntamente com os laudos periciais, depoimentos e demais provas.

Embora o advogado tenha reconhecido as agressões físicas, as responsabilidades criminais e as demais acusações ainda serão examinadas no processo judicial, sem condenação definitiva até o momento.

Gustavo Veloso Feitosa
Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins