“Fiquei rodando de carro”: Igor Veloso confessa que passou seis horas sem procurar a polícia após morte do filho em Palmas

O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa admitiu à Polícia Civil que passou cerca de seis horas dirigindo pelas ruas de Palmas depois de perceber que o filho, Gustavo Feitosa, de 3 anos, havia morrido. Em vez de procurar imediatamente uma delegacia, ele contou que saiu de carro sem saber como comunicar a morte à mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa.

A revelação foi feita durante um novo depoimento sobre o caso, ocorrido em agosto deste ano. Questionado pelos investigadores sobre o intervalo entre a descoberta da morte e sua apresentação à polícia, Igor afirmou que não conseguia enfrentar a situação.

“Eu fiquei rodando de carro, e, se eu pudesse, eu estava rodando nesse carro até hoje”, declarou.

O advogado também mencionou os conflitos anteriores com Sabrina, com quem mantinha disputas judiciais desde 2023.

“Em outro momento, eu teria tido outra postura, mas eu já tive problemas anteriores com a Sabrina. Eu não tinha o que dizer para a mãe desse menino, por isso eu saí”, afirmou.

O relato acrescenta um novo elemento à investigação sobre a morte de Gustavo, encontrado sem vida em 2 de agosto de 2026, na residência do pai, na região norte da capital.

Advogado também admitiu ter espancado o filho

Além de explicar o que fez após perceber a morte da criança, Igor confessou ter agredido Gustavo na área externa da casa.

Segundo o depoimento, ele perdeu o controle ao encontrar o menino dentro da piscina sem autorização. O advogado afirmou que o filho teria começado a se afogar e que as agressões ocorreram depois que o retirou da água.

Igor descreveu ter sacudido a criança, que bateu a cabeça contra uma parede, e depois desferido chutes e pisões.

“Quando eu chacoalhei ele, ele bateu a cabeça na parede, e aí eu joguei ele pra frente e dei pisões nele, nas costas dele e na barriga”, relatou.

O advogado reconheceu ainda que os golpes podem ter provocado as lesões internas identificadas pela perícia.

“Ali eu acho que houve aquele problema no intestino. Então, eu o chutei”, acrescentou.

A conclusão do Instituto Médico Legal (IML) foi de que Gustavo morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por ferimentos graves em diferentes partes do corpo.

Os exames identificaram hematomas na cabeça e no intestino, além de laceração anal. O laudo também apontou a ocorrência de violência sexual.

Embora tenha admitido o espancamento, Igor negou ter cometido violência sexual contra o filho.

“Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”, declarou.

Morte ocorreu em meio a disputas judiciais

A morte de Gustavo aconteceu poucos dias depois de uma decisão judicial que determinou o pagamento de pensão alimentícia pelo pai.

Igor e Sabrina já enfrentavam conflitos na Justiça. Em 2023, o advogado havia sido denunciado por ameaçar a mãe da criança.

Gustavo estava passando um fim de semana na residência paterna quando ocorreram os fatos investigados.

O pai e a madrasta do menino, Kathellen Moreira da Silva, foram indiciados pela Polícia Civil em setembro e permanecem presos preventivamente.

Posteriormente, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), tornando os dois réus.

Igor responde às acusações de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen é acusada de vicaricídio, por suposta omissão diante das agressões contra o enteado, e fraude processual.

Madrasta nega participação e diz que foi impedida de entrar no quarto

A defesa de Kathellen Moreira sustenta que ela não participou das agressões e desconhecia a violência praticada contra Gustavo.

Em nota, os advogados afirmaram que a madrasta estava no quarto amamentando a filha pequena quando ocorreram as agressões na área externa da residência.

Segundo a defesa, Kathellen ouviu posteriormente um barulho vindo do cômodo onde Igor estava com o menino, mas não conseguiu identificar o que acontecia.

Ao tentar entrar no quarto, teria sido impedida pelo companheiro, que reagiu com xingamentos e ameaças.

A defesa também afirma que Kathellen só soube da morte de Gustavo no dia seguinte, quando Igor teria dito que o menino havia se afogado.

Os advogados sustentam que ela não presenciou nem ouviu agressões que permitissem reconhecer a violência e afirmam que apresentarão provas de sua inocência durante o processo.

Já a defesa de Igor informou que os fatos serão esclarecidos nos autos.

A confissão das agressões e o relato sobre as seis horas em que permaneceu dirigindo passam a integrar o conjunto de provas analisado pela Justiça. Apesar de ambos serem réus, ainda não há condenação definitiva no caso.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins