13ª edição do Festival Internacional de Circo de Taquaruçu reúne mais de 7 mil pessoas e consolida o circo tocantinense como potência cultural

Com programação gratuita, acessível e diversa, o FICTO recebeu mais de 40 artistas, realizou cerca de 10 ações formativas e mais de 15 atrações entre espetáculos e shows 

Taquaruçu viveu quatro dias de encantamento, encontro, arte, formação e celebração popular durante a 13ª edição do Festival Internacional de Circo de Taquaruçu — FICTO. Com o tema “Circo do Tocantins para o Mundo”, o evento reuniu mais de 7 mil pessoas, especialmente famílias, crianças, jovens e moradores da comunidade, em uma programação 100% gratuita que movimentou o distrito de Palmas com espetáculos, oficinas, cortejos, shows, performances, rodas de saberes, ações de acessibilidade e atividades voltadas à economia criativa e shows musicais. O público presente clamou pela inserção do Festival de Circo de Taquaruçu nos calendários culturais de Palmas e do Tocantins. 

Consolidado como uma das principais iniciativas de difusão das artes circenses no Tocantins e uma das maiores do Norte do País, o festival reuniu mais de 40 artistas, sendo 3 atrações internacionais, Chile, Colômbia e Argentina e 37 artistas nacionais e locais, com representantes do Tocantins, Pernambuco, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Argentina. Ao longo da programação, o público acompanhou números de palhaçaria, acrobacias, malabarismo, performances de fogo, lira, trapézio, perna de pau, diabolô, música, cortejos e espetáculos que ocuparam o Centro Cultural Circo Os Kaco e a Praça Tarcísio Machado.

Além das apresentações artísticas, o FICTO também fortaleceu seu compromisso com a formação, a troca de saberes e o desenvolvimento profissional do setor cultural. A programação contou com cerca de 10 ações formativas, entre workshops, oficinas, intercâmbios artísticos, rodas de conversa e atividades de aprimoramento técnico voltadas para artistas, produtores culturais, ONGs, educadores e comunidade.

Atrações

Entre os destaques da edição estiveram o espetáculo “Circo Science, do Mangue ao Picadeiro”, da Escola Pernambucana de Circo; o show “Brincantes”, com o grupo Pé de Cerrado, do Distrito Federal; a apresentação “Bugigangueiros”, da Junina Matutos da Noite; o espetáculo argentino “Yo soy Américo”, com Camila Basterra; a tradicional Noite de Gala; a Noite da Palhaçada; o Voo de Balão; o cortejo “Salve o Cerrado”; as performances de fogo e muito mais.

Para o presidente do Circo Os Kaco, Kadu Oliviê, o resultado da 13ª edição reafirma a força do festival como política cultural de base comunitária, com impacto artístico, social, turístico e econômico. “Encerramos esta edição com o coração cheio de gratidão e a certeza de que o circo tocantinense está cada vez mais forte. Foram mais de 7 mil pessoas vivendo o festival, ocupando Taquaruçu, trazendo suas famílias, suas crianças, seus olhares e sua alegria. O Festival nasceu de um sonho coletivo e hoje mostra que o circo feito no Tocantins tem identidade, tem potência, tem qualidade e dialoga com o Brasil e com o mundo, sem perder suas raízes na comunidade, na cultura popular e no território”, destaca Kadu.

A produtora executiva do festival, Marcela Pultrini, avalia que a edição consolidou um modelo de evento que une arte, gestão, sustentabilidade e inclusão. “O FICTO é muito mais do que uma programação artística. Ele mobiliza artistas, técnicos, produtores, empreendedores, educadores, famílias, turistas e moradores. É um festival que movimenta a economia criativa, fortalece a formação profissional, promove acesso gratuito à cultura e reafirma Taquaruçu como um território vivo de criação. Ver a praça cheia, as crianças encantadas, os artistas trocando experiências e a comunidade participando é a maior resposta de que esse trabalho precisa continuar”, afirma Marcela.

Sustentabilidade e responsabilidade ambiental

Além do impacto cultural, a 13ª edição do Festival Internacional de Circo de Taquaruçu também apresentou um importante resultado ambiental. Durante os dias de programação houveram diversas atividades do Movimento Lixo Zero, os resíduos do Festival se juntaram com os resíduos recolhidos no Circo e no Colégio Municipal Crispim Pereira Alencar nesses 6 meses (janeiro a junho) foram recolhidas cerca de 1,5 tonelada de resíduos, que tiveram destinação adequada doadas para as cooperativas de materiais recicláveis. O Movimento Lixo Zero é uma meta ética e econômica que visa repensar o consumo, reduzir o desperdício e encaminhar os resíduos para reciclagem ou compostagem, evitando que sejam enviados para aterros ou incinerados 

A ação reforça o compromisso do Circo Os Kaco com práticas sustentáveis e com a educação ambiental, princípios que fazem parte da atuação contínua do espaço em Taquaruçu. O cuidado com o território esteve presente não apenas na gestão dos resíduos, mas também na própria concepção do festival, que valoriza a convivência comunitária, a economia criativa local e o respeito ao meio ambiente.

Público familiar e encantamento coletivo

O último dia de programação foi marcado pela presença expressiva de famílias, crianças e moradores que acompanharam atrações como “Palhaçada nas Alturas – Voo de Balão”, a Noite da Palhaçada e o show de encerramento com Vozes de Ébano. Para a funcionária pública Anita Sales, que acompanhou a programação com a família, o festival foi uma experiência de encontro e pertencimento. “Foi emocionante ver Taquaruçu cheio de vida, com crianças correndo, famílias reunidas e artistas de tantos lugares diferentes. A gente sente que o festival é feito com muito carinho e que o circo tem esse poder de juntar todo mundo, de fazer a gente rir, se emocionar e ocupar a cidade de um jeito bonito”, contou.

Já a cantora Mara Rita, que prestigiou o encerramento do evento, destacou a gratuidade e a diversidade da programação. “É muito importante ter um festival desse porte, gratuito, acessível e com tanta qualidade artística. Eu vim no último dia e fiquei encantado com a estrutura, com os espetáculos e com a energia do público. É uma programação para a família inteira e mostra que o Tocantins tem uma produção cultural muito forte”, afirmou.

Formação, intercâmbio e circulação artística

A presença de artistas de diferentes estados e países também foi um dos pontos altos da edição. O intercâmbio entre criadores do Tocantins, de outras regiões do Brasil e da Argentina ampliou as possibilidades de troca artística, formação técnica e circulação de saberes. As ações formativas incluíram atividades como elaboração de projetos e mobilização de recursos, aprimoramento técnico para artistas de circo, teatro e dança, intercâmbio artístico, oficina de percussão, oficina sobre saberes da horta do Cerrado, segurança para performances de fogo e rodas de saberes sobre outras economias.

Lona Fixa

Com 13 edições realizadas, o Festival Internacional de Circo de Taquaruçu reafirma sua importância como vitrine da arte circense, espaço de formação, território de convivência e plataforma de projeção do circo tocantinense. A edição de 2026 mostrou que o tema “Circo do Tocantins para o Mundo” não foi apenas uma inspiração, mas uma síntese da força coletiva que move o festival.

Realizado pelo Circo Os Kaco, o FICTO também valoriza a única lona de Circo fixo do Tocantins, espaço que atua de forma contínua com espetáculos, oficinas, residências, treinamentos, ensaios profissionais, ações de circo social, arte-educação, educação ambiental e projetos comunitários.

Durante a realização do festival, a primeira-dama Polyanna Siqueira Campos anunciou decreto assinado pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos, que autorizou a permissão de uso do lote público ocupado pela Associação Companhia Os Kaco, no distrito de Taquaruçu, pelo prazo de mais cinco anos. 

A secretária municipal de Turismo, Ana Paula Setti Nogueira, destaca a importância do evento para o desenvolvimento turístico da Capital. “O Festival é uma iniciativa que une cultura, turismo e desenvolvimento econômico. Eventos como esse fortalecem o Distrito como um importante polo turístico, atraem visitantes, geram renda para empreendedores locais e valorizam a identidade cultural de Palmas”, afirma. O Festival contou com dezenas de apoiadores, dentre eles o Coletivo Somos, através da vereadora Lucyeli, a Prefeitura de Palmas, através da Secretaria Municipal de Turismo e Governo do Tocantins, através da Secretaria Estadual da Cultura.