
O pré-candidato a vice-governador do Tocantins, Amélio Cayres, aproveitou o lançamento da chapa liderada por Vicentinho Júnior em Augustinópolis para defender um governo voltado ao interior, fazer um aceno aos servidores públicos e criticar demissões que, segundo ele, estariam ocorrendo por motivação política. Amélio também exaltou a história de sua família no Bico do Papagaio e afirmou que a região vive um momento inédito de protagonismo.

Logo no início, o presidente da Assembleia Legislativa disse que a escolha por realizar o evento em um parque de exposições, e não em um espaço fechado, tinha um motivo. “Questionaram para que eu arrumasse talvez um centro de eventos, um ginásio de esportes. Eu falei: vocês não conhecem o Bico do Papagaio. Eu vou fazer é em lugar aberto, num parque de exposições. Porque esse povo do Bico é um povo animado, honrado e que sabe agradecer.”
Para Amélio, a mobilização registrada em Augustinópolis representa mais do que força política. “Hoje é uma demonstração não de força, mas de carinho, de esperança a essa chapa que aqui se propõe.”
Durante o discurso, o pré-candidato relembrou a chegada de sua família ao Bico do Papagaio há quase cinco décadas e afirmou que acompanhou a transformação da região. “Há 50 anos, meu pai, seu Santinho, e dona Nezinha desceram para o Bico do Papagaio. Vimos nascer um Bico forte, que antes era tratado como castigo para muitos servidores e hoje é uma das melhores regiões do Tocantins.”
Ao homenagear a trajetória política da família, Amélio fez uma referência especial ao irmão Antônio do Bar, ex-prefeito de Augustinópolis. “Acima de tudo, Deus nos deu aquele que foi o nosso professor, nossa experiência, nosso guia. Não tenho dúvida de dizer que continua sendo minha referência: o saudoso Antônio do Bar.”
Embora tenha lembrado que sonhava disputar o Governo do Estado, Amélio afirmou que continua comprometido com o mesmo projeto ao lado de Vicentinho Júnior. “Deus vai me dar a oportunidade de ser vice-governador junto contigo, mas isso não desfaz nenhum dos sonhos que eu tinha como governador. Sonho com um Tocantins forte, industrializado, gerando emprego e oportunidade para nossa gente.”
Entre as prioridades, ele destacou investimentos na saúde pública da região e defendeu a ampliação do Hospital Regional de Augustinópolis. “Eu sonho com o Hospital de Augustinópolis Porto III, com UTI cirúrgica, aumentando os atendimentos e também as oportunidades de emprego.”
Na sequência, fez um compromisso direcionado aos servidores. “Vamos colocar mais pessoas para trabalhar, sem precisar tirar ninguém que já está trabalhando.”
Um dos momentos mais fortes do pronunciamento ocorreu quando Amélio afirmou que servidores estariam sendo demitidos por apoiarem sua candidatura. “Quero dizer aos funcionários de Augustinópolis que foram demitidos: a minha desculpa. Vocês foram prejudicados por minha causa.”
Ele comparou a situação com um episódio vivido durante o governo Marcelo Miranda, quando, segundo contou, recebeu autorização para indicar nomes para a saúde da região. “Minha lista já estava pronta. Era a mesma lista que estava no RH, sem tirar ninguém. O povo não pode ser perseguido.”
“O Tocantins é muito maior do que essas picuinhas”, disse.
Sem citar nominalmente a adversária, Amélio também rebateu uma declaração feita em outro evento de campanha, na qual foi dito que prefeitos seriam o “alicerce” de uma candidatura. “Ouvi dizer ontem que construção não se faz sem alicerce e que o alicerce era um número de prefeitos. Eu respeito todos os prefeitos, mas alicerce de um político não é prefeito, não é deputado, não é vereador. O alicerce é o povo, é a nossa gente.”
Ao falar sobre uma eventual gestão, prometeu tratamento igualitário aos municípios, independentemente de alinhamento político. “Se Deus quiser, vocês prefeitos terão tratamento firme, determinado e respeitoso.”
No encerramento, Amélio agradeceu a presença das caravanas de dezenas de municípios do Bico do Papagaio e reforçou que pretende conduzir uma campanha de proximidade com os eleitores. “Aqui no Bico se faz campanha é no meio do povo. Bora para o meio do povo.”