
Por Fábio Vaz
O Tocantins vive um momento de crescimento. Novos investimentos chegam, a economia se diversifica e novas oportunidades surgem em todas as regiões do Estado. Mas existe uma pergunta que precisa orientar nossas decisões daqui para frente: estamos formando os jovens que irão sustentar esse desenvolvimento?
A educação vive uma transformação profunda. Em um mundo marcado pela inovação, pela tecnologia e por rápidas mudanças sociais e econômicas, já não basta preparar os estudantes apenas para responder às avaliações ou concluir uma etapa da vida escolar. O grande desafio do nosso tempo é formar cidadãos capazes de aprender continuamente, conviver, inovar, empreender e construir seus próprios projetos de vida.
É por isso que acredito que a educação em tempo integral deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade.
Educação integral não é simplesmente ampliar o tempo de permanência do estudante na escola. É ampliar oportunidades de aprendizagem, desenvolver competências, fortalecer valores, estimular a cultura, o esporte, a ciência, a tecnologia e promover uma formação humana completa.
Em outras palavras, a educação integral é muito mais do que uma política educacional. Ela é uma estratégia de desenvolvimento do Estado.
Os países que mais avançaram em aprendizagem, inovação e desenvolvimento humano compreenderam essa realidade. O próprio Brasil tem caminhado nessa direção. Nos últimos anos, a educação em tempo integral alcançou o maior percentual de estudantes da rede pública da história recente, consolidando-se como uma das principais estratégias para elevar a qualidade da educação e reduzir desigualdades.
No Tocantins, decidimos transformar essa visão em política pública.
Quando iniciamos esse trabalho, a rede estadual contava com cerca de 46 escolas de tempo integral. Hoje, são mais de 110 unidades, um crescimento superior a 140% em apenas quatro anos.
Nesse período, inauguramos dez novas Escolas de Tempo Integral, transformamos outras 64 unidades para essa modalidade, criamos mais de 5.300 novas vagas, levamos o ensino integral para todas as regiões do Estado e seguimos ampliando essa oferta com a construção de cinco novas escolas, que abrirão outras 2.380 vagas.
Esses números representam muito mais do que expansão física. Representam milhares de jovens com mais tempo para aprender, desenvolver talentos, fortalecer vínculos, descobrir vocações e construir perspectivas de futuro.
Mas acredito que o futuro da educação exige um passo ainda mais ousado.

A educação integral precisa caminhar lado a lado com a Educação Profissional e Tecnológica.
Não basta que o estudante permaneça mais tempo na escola. É preciso que saia dela preparado para continuar seus estudos, ingressar no mundo do trabalho, empreender, inovar e participar de uma economia cada vez mais baseada no conhecimento.
Foi com essa compreensão que fortalecemos a Educação Profissional e Tecnológica na rede estadual.
Por meio do programa Profissão Estudante, integramos a formação técnica ao Ensino Médio, permitindo que nossos jovens concluam a educação básica já com uma qualificação profissional.
Essa política ampliou o acesso à formação técnica em mais de 40 municípios tocantinenses, alcançando estudantes das áreas urbanas, do campo, de comunidades indígenas e quilombolas, priorizando o modelo integrado, que une formação geral e formação profissional em um único percurso educativo.
Essa expansão foi construída em parceria com instituições reconhecidas nacionalmente, como o SENAI, o SENAC e a Aura Minerals, aproximando a escola das vocações econômicas do Estado e das demandas do setor produtivo.
Outro marco importante será a inauguração, ainda este ano, do Centro de Educação Profissional de Palmas, um espaço moderno e inovador, preparado para formar jovens para as profissões do presente e, sobretudo, para aquelas que ainda surgirão nas próximas décadas.
Toda essa transformação ganhou sustentação permanente com a criação da Lei do PROFE – Programa de Fortalecimento da Educação.
Mais do que um programa de governo, o PROFE consolidou uma política de Estado, garantindo continuidade, planejamento, investimento e segurança institucional para que a educação tocantinense continue avançando independentemente das mudanças de gestão.
Naturalmente, ainda existem desafios.
Expandir a infraestrutura escolar, construir laboratórios, bibliotecas, refeitórios e quadras cobertas, além de fortalecer a formação continuada dos professores, permanece como prioridade. Afinal, educação integral não se constrói apenas com mais horas na escola. Constrói-se com qualidade pedagógica, inovação, acolhimento e propósito.
A escola do século XXI precisa ser um espaço onde o estudante aprende conteúdos, mas também desenvolve competências socioemocionais, pensamento crítico, criatividade, responsabilidade e capacidade de resolver problemas.
Para muitas famílias, saber que seus filhos permanecem o dia inteiro em um ambiente seguro, acolhedor, bem alimentados e aprendendo representa tranquilidade. Para o Estado, representa justiça social. Para os jovens, representa oportunidade.
Continuo acreditando que investir na juventude é a decisão mais inteligente que um governo pode tomar.
Porque quem amplia o tempo de aprendizagem amplia, sobretudo, as possibilidades de futuro.
Mais do que preparar estudantes para o mercado de trabalho, precisamos formar cidadãos capazes de transformar a realidade em que vivem.
O maior patrimônio de um Estado não é sua arrecadação, sua infraestrutura ou suas riquezas naturais. São as pessoas que ele é capaz de formar.
Se quisermos um Tocantins mais competitivo, mais inovador e socialmente mais justo, precisaremos compreender que educação integral e educação profissional não são despesas. São o investimento mais inteligente que uma sociedade pode fazer.
O futuro do Tocantins dependerá menos da velocidade com que crescemos e muito mais da capacidade que tivermos de preparar nossa juventude para crescer junto com esse desenvolvimento. Esse é o legado que precisamos construir. Esse é o compromisso que deve unir toda a sociedade.
Fábio Vaz
Professor efetivo da rede estadual de ensino, ex-secretário de Estado da Educação do Tocantins, mestre em Gestão de Políticas Públicas e doutorando em Educação pela Universidade Federal do Tocantins (UFT).