
O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Tocantins (Sindepol-TO) divulgou, nesta quarta-feira, 26, uma nota de repúdio aos ataques virtuais direcionados à delegada Sarah Lilian de Souza Rezende, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Araguaína. A entidade informou que acompanhará o caso e adotará as medidas jurídicas e administrativas cabíveis.
De acordo com o sindicato, o episódio começou no dia 24 de agosto, quando Sarah Lilian, que está afastada das funções policiais para cumprir o período de desincompatibilização eleitoral, foi procurada por Emerson da Rocha, conhecido como “Rocca”. Ele pretendia comunicar uma suposta situação de assédio.
Segundo a nota, a delegada explicou que não estava no exercício das atribuições funcionais e orientou o interlocutor a procurar uma unidade policial para formalizar a denúncia pelos canais institucionais competentes.
O Sindepol sustenta que a orientação foi compatível com a condição funcional da delegada e não caracterizaria omissão. Ainda conforme a entidade, depois do contato, passaram a circular em redes sociais e grupos de WhatsApp publicações que atribuíam à policial uma suposta omissão funcional.
O sindicato afirma que os conteúdos teriam caráter ofensivo, depreciativo e potencialmente misógino, além de promoverem uma mobilização para expor publicamente a delegada. As alegações são de responsabilidade da entidade e deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
O caso, conforme a nota, já foi registrado por meio de ocorrência policial e inclui pedido de medida protetiva de urgência. Caberá aos órgãos responsáveis apurar as circunstâncias e verificar a eventual ocorrência de crimes ou outras irregularidades.
Sindicato destaca atuação na defesa das mulheres
Na manifestação, o Sindepol também ressaltou a trajetória profissional de Sarah Lilian. A delegada está há mais de sete anos à frente da Deam de Araguaína, unidade que, segundo a entidade, atende aproximadamente mil mulheres em situação de violência doméstica por ano.
Sarah Lilian é idealizadora de iniciativas como o Projeto Fênix, a Caminhada Agosto Lilás e o projeto Fortes por Natureza. Ela também atua como professora de Direito Penal e Criminologia e presidiu o Sindepol entre 2020 e 2021.
“A liberdade de expressão, embora constitua garantia fundamental, não possui caráter absoluto e não pode servir de fundamento para a prática de ameaças, ofensas à honra, exposição indevida de dados pessoais ou perseguições”, afirmou o sindicato.
Ao final, o presidente em exercício do Sindepol-TO, Emerson Francisco de Moura, declarou que a entidade continuará acompanhando os desdobramentos e atuará na defesa da honra, da dignidade e das prerrogativas profissionais de sua filiada.
O espaço permanece aberto para manifestação de Emerson da Rocha sobre as alegações apresentadas pelo sindicato.