
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 9, a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de 42 eventos adversos graves associados temporalmente à aplicação do imunizante. A medida permanecerá em vigor enquanto autoridades sanitárias investigam os casos.
Entre as ocorrências analisadas estão três situações classificadas como graves, incluindo dois óbitos. Apesar disso, o governo federal afirma que ainda não há comprovação de que as mortes ou os demais eventos tenham sido causados pela vacina.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que informou que aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os sistemas de monitoramento identificaram os casos que motivaram a investigação.
Segundo o ministério, algumas das reações observadas não haviam sido registradas durante as fases de estudos clínicos do imunizante. Por esse motivo, o Comitê Nacional de Farmacovigilância recomendou a interrupção preventiva da vacinação até a conclusão das análises.
“Não há informações suficientes para afirmar que esses óbitos tenham sido provocados pela vacina. O que existe é um sinal de alerta que exige investigação aprofundada”, afirmou Padilha.
As apurações serão conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan. As equipes técnicas vão avaliar os casos registrados, além de aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
O ministério informou que as vacinas já distribuídas não serão descartadas. A orientação é que estados e municípios mantenham os imunizantes armazenados adequadamente até a conclusão das investigações.
A suspensão atinge projetos-piloto realizados em diferentes regiões do país, incluindo municípios do Tocantins. No estado, a estratégia vinha sendo desenvolvida na região do Médio Norte Araguaia, abrangendo 17 cidades.
A pasta também reforçou que a medida não afeta a vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Esse imunizante segue disponível normalmente na rede pública e não faz parte da investigação em andamento.
Enquanto as análises prosseguem, o Ministério da Saúde informou que acompanhará mais de perto as pessoas vacinadas recentemente para ampliar a coleta de dados e esclarecer se existe relação entre os eventos registrados e a aplicação da vacina.