
Relatos de casos de câncer entre moradores de comunidades rurais próximas a projetos de irrigação, no sul do Tocantins, levantaram suspeitas sobre uma possível contaminação do rio Formoso por agrotóxicos. A situação chegou ao Ministério Público Federal (MPF), que abriu uma investigação para apurar se produtos químicos utilizados na atividade agrícola foram lançados no curso d’água, em Formoso do Araguaia.
A apuração começou após uma reportagem sobre a saúde de camponeses da região chegar ao órgão federal. O material, intitulado “Camponeses vizinhos de projetos de irrigação sofrem com incidência de câncer no Tocantins”, apresenta a hipótese de que o despejo de agrotóxicos no rio possa estar relacionado aos casos da doença relatados nas comunidades.
Até o momento, porém, não há comprovação de que o rio tenha sido contaminado nem de que os casos de câncer estejam associados à exposição a agrotóxicos. Essas são questões que deverão ser esclarecidas durante a investigação.
O inquérito civil foi formalizado pela Portaria nº 102, de 9 de outubro de 2026, assinada pelo procurador da República Bernardo Meyer Cabral Machado.
MPF cobra informações sobre fiscalização ambiental
Uma das primeiras providências da investigação é esclarecer se o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou uma fiscalização prevista para a região.
Na portaria, o procurador registra que o MPF ainda não havia recebido informações sobre essa atividade. Por isso, determinou que fosse reiterado um pedido anterior de esclarecimentos ao órgão ambiental.
O resultado dessa fiscalização poderá ajudar a verificar se existem indícios de lançamento irregular de substâncias químicas no rio Formoso.
O Ministério Público Federal também acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando informações sobre possíveis episódios de contaminação por agrotóxicos envolvendo trabalhadores rurais e outras pessoas na região.
O MPT recebeu prazo de 15 dias para encaminhar os dados solicitados.
Investigação busca esclarecer origem das suspeitas
O caso chegou à unidade responsável pela apuração após a 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que atua na área ambiental, encaminhar a reportagem para análise.
A partir desse material, o órgão decidiu aprofundar a apuração e reunir informações de instituições responsáveis pela fiscalização ambiental e pela proteção da saúde dos trabalhadores.
O procedimento tem prazo inicial de um ano, período em que poderão ser solicitados documentos, relatórios de fiscalização e outros elementos necessários para esclarecer as denúncias.
A investigação deverá verificar se houve lançamento de agrotóxicos no rio Formoso e se existem elementos que justifiquem novas medidas para apurar eventuais riscos à população.
A abertura do inquérito não significa que a contaminação tenha sido confirmada ou que exista uma relação comprovada entre a atividade agrícola e os casos de câncer mencionados na reportagem. O objetivo, nesta fase, é reunir evidências para determinar se as suspeitas têm fundamento.