
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou as possibilidades de uso do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) no tratamento do câncer de mama HER2-positivo. A nova indicação terapêutica autoriza o uso do medicamento em pacientes adultos que, mesmo após o tratamento realizado antes da cirurgia e a retirada do tumor, ainda apresentam sinais da doença.
A aprovação contempla pacientes com doença invasiva residual que receberam tratamento com trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe, associado à quimioterapia baseada em taxanos.
Com a decisão, o medicamento poderá ser introduzido em uma fase mais precoce do tratamento para pacientes que continuam apresentando células cancerígenas após a cirurgia. A expectativa é reduzir o risco de recidiva da doença nos anos seguintes.
O Enhertu é administrado por infusão intravenosa e atua de forma direcionada às células tumorais que expressam a proteína HER2, levando o medicamento diretamente ao alvo.
Segundo a Anvisa, o câncer de mama é o tipo mais frequente no mundo e a principal causa de morte por câncer entre mulheres. No Brasil, a estimativa é de mais de 70 mil novos casos da doença por ano.
Entre 10% e 19% dos tumores de mama apresentam superexpressão da proteína HER2, característica associada a uma forma mais agressiva da doença.
Mesmo com os tratamentos atualmente disponíveis, parte das pacientes ainda apresenta doença residual após a cirurgia. De acordo com a agência, até 25% dessas mulheres podem enfrentar o retorno do câncer ao longo dos dez anos seguintes.
A ampliação da indicação foi baseada em estudos clínicos que apontaram benefícios relevantes. Conforme a Anvisa, o tratamento reduziu em 53% o risco de recorrência do câncer invasivo ou de morte, além de prolongar o período em que as pacientes permaneceram livres da doença.
A nova indicação é válida apenas para o grupo de pacientes definido na aprovação regulatória. O uso do medicamento deve ser indicado e acompanhado pelo médico responsável, conforme a avaliação individual de cada caso.