Moradias atingidas por fogo na aldeia | Foto: Reprodução
Moradias atingidas por fogo na aldeia | Foto: Reprodução

A Prefeitura de Formoso do Araguaia vai decretar situação de emergência após o incêndio que destruiu 38 casas na Aldeia Canuanã e deixou aproximadamente 200 pessoas afetadas. A medida deve permitir o repasse emergencial de R$ 300 mil do Governo do Tocantins, enquanto o município articula com o governo federal um projeto para reconstruir as moradias.

O balanço foi atualizado nesta segunda-feira, 21, pelo prefeito Israel Kawê. Segundo ele, todas as 38 residências contabilizadas pela prefeitura foram completamente destruídas pelo fogo.

Desde domingo, 20, as primeiras ações têm se concentrado no atendimento imediato às famílias. O município levou água potável e cestas básicas para a comunidade e informou que continuará garantindo alimentação aos moradores.

Nesta segunda-feira, uma ligação provisória de energia elétrica foi concluída para permitir o funcionamento do poço artesiano, do posto de saúde e da escola da aldeia. No caso da unidade escolar, uma das preocupações era restabelecer a refrigeração necessária para conservar os alimentos utilizados na merenda.

“Hoje já foi feita a ligação elétrica para abastecer o poço artesiano, o posto de saúde e a escola, também para conservar a merenda escolar”, explicou o prefeito.

Casas na Aldeia Canoanã, em Formoso do Araguaia, foram consumidas pelo fogo — Foto: Divulgação/Prefeitura de Formoso do Araguaia

Famílias receberão tendas e roupas

Com dezenas de famílias sem as próprias casas, Kawê afirmou que a próxima etapa será instalar tendas para servir de abrigo provisório. Roupas arrecadadas por meio de doações também serão distribuídas.

“Vamos disponibilizar tendas para abrigar as famílias e continuar dando assistência alimentar. Também vamos fazer a distribuição de roupas que já foram arrecadadas graças às doações”, afirmou.

O Governo do Estado também passou a prestar assistência por meio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), que enviou cestas básicas para a comunidade.

Kawê contou que permaneceu na aldeia durante o domingo acompanhado da secretária estadual de assistência social, de servidores da Secretaria Municipal de Assistência Social e da brigada municipal de incêndios.

Município vai decretar emergência

A dimensão dos prejuízos levou a prefeitura a preparar o decreto de emergência. Segundo o prefeito, a medida permitirá ao município acessar R$ 300 mil em recursos emergenciais estaduais.

“Estamos decretando estado de emergência para receber o recurso do Governo do Estado, recurso emergencial de R$ 300 mil”, disse.

O dinheiro deverá integrar as ações de resposta ao desastre. Paralelamente, o município começou a buscar recursos federais para uma solução definitiva às famílias que perderam suas casas.

Kawê afirmou que, na noite de domingo, foi colocado em contato pela senadora Professora Dorinha com um ministro do governo federal e com a Defesa Civil Nacional. A partir das conversas, segundo ele, será iniciado um projeto voltado à reconstrução das 38 moradias.

“A noite, a senadora Dorinha me colocou em contato com o ministro e com a Defesa Civil Nacional, onde iniciaremos um projeto de reconstrução das casas”, relatou.

O prefeito não informou, até o momento, o valor estimado para a reconstrução nem um prazo para que as novas residências sejam entregues.

Funai esteve na aldeia

Questionado sobre a atuação dos órgãos federais e a necessidade de autorização para entrada na área indígena, Israel Kawê afirmou que uma equipe da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) esteve na aldeia na manhã de domingo e concedeu autorização.

O prefeito não detalhou, porém, qual atuação especificamente foi autorizada, quem havia solicitado a permissão ou se a questão teve impacto no combate ao incêndio no sábado.

A resposta ocorre após o governador Wanderlei Barbosa afirmar que forças estaduais teriam enfrentado dificuldade para atuar na área por dependerem de autorização de órgãos federais.

O incêndio atingiu a Aldeia Canuanã no sábado, 19. Apesar da destruição das moradias, não houve registro de feridos. As ações agora se concentram na assistência às cerca de 200 pessoas afetadas e na articulação de recursos para que as famílias possam reconstruir suas casas.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins