
Maju Cotrim
Nesta sexta-feira, 4 de setembro, faltam exatamente 30 dias para que os tocantinenses retornem às urnas. A campanha entra, portanto, em sua fase mais decisiva e também mais reveladora.
Até aqui, partidos e candidatos demonstraram capacidade para mobilizar suas próprias estruturas. Reuniões, carreatas, caminhadas, adesões e encontros regionais se multiplicam pelos municípios. Prefeitos, vereadores, deputados e lideranças locais começam a ocupar ostensivamente os palanques. Mas uma pergunta precisa ser feita: essa movimentação está alcançando a população ou continua limitada às bolhas políticas?
Reunir quem já está convencido não significa conquistar votos novos. Produzir imagens de grandes encontros também não garante que a mensagem tenha chegado ao eleitor comum, aquele que não acompanha diariamente as redes dos candidatos, não participa de grupos políticos e ainda não decidiu em quem votar.
Fora dos palanques, permanece a percepção de uma eleição distante de parte expressiva da sociedade. Há mobilização entre os grupos, mas ainda não se sabe se existe envolvimento real entre os indecisos, os desinteressados e aqueles que estão mais preocupados com os problemas cotidianos do que com a disputa eleitoral.
É justamente nesse eleitorado silencioso que poderá estar a decisão.
A 30 dias das urnas, a eleição do Tocantins continua aberta a variáveis. O excesso de confiança pode ser tão perigoso quanto a falta de estratégia. Apoios anunciados, alianças partidárias, pesquisas e estruturas municipais têm peso, mas não substituem a capacidade de conversar com quem está fora do circuito tradicional da política.
Chegou a hora de cada aliado mostrar o tamanho verdadeiro de seu engajamento. Não basta aparecer em fotografias, subir em palanques ou declarar apoio nas redes sociais. Prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e representantes de segmentos serão chamados a transformar prestígio em presença, discurso em convencimento e apoio formal em voto.
Nos próximos 30 dias, será possível medir quais alianças possuem densidade eleitoral e quais existem apenas na aparência. A política tocantinense conhece bem a diferença entre estar em uma fotografia e efetivamente entrar em uma campanha.
Também será necessário observar com atenção a disputa pelas duas vagas no Senado Federal. Com vários nomes competitivos e o eleitor tendo direito a dois votos, essa eleição possui uma dinâmica própria, mais complexa e sujeita a mudanças.
A corrida pelo Senado promete intensificar a discussão pública, as comparações, as cobranças e as trocas de farpas. Estratégias deverão ser revistas à medida que as campanhas tentarem consolidar a segunda opção do eleitor e impedir o crescimento dos adversários.
Nesse cenário, a busca pelo chamado segundo voto será uma batalha dentro da própria batalha. Candidatos que hoje dividem palanques poderão disputar o mesmo espaço político, os mesmos aliados e a mesma parcela do eleitorado. A convivência aparentemente harmoniosa será testada quando os números, as estruturas e os interesses começarem a se confrontar de maneira mais direta.
Esta será uma eleição em que vencerá quem encontrar a linha do meio, não como sinônimo de neutralidade ou falta de posição, mas como capacidade de dialogar com a maioria da população. É preciso falar com o eleitor do campo e da cidade, com os jovens, as mulheres, os trabalhadores, os empresários, os servidores, os mais pobres e a classe média. Falar com quem acompanha política todos os dias, mas principalmente com quem só agora começará a prestar atenção na campanha.
Não será suficiente comunicar para agradar os próprios seguidores. As campanhas precisarão atravessar os limites dos grupos de WhatsApp, das agendas fechadas e dos conteúdos direcionados a públicos já conquistados. Quem não conseguir romper a própria bolha poderá descobrir tarde demais que tinha mobilização, mas não tinha maioria.
A partir de agora, cada detalhe importa: uma fala mal colocada, uma ausência estratégica, uma aliança contraditória, uma reação exagerada, uma agenda esvaziada ou uma oportunidade desperdiçada. Da mesma forma, um gesto de equilíbrio, uma proposta bem explicada e uma conversa verdadeira com a população podem alterar percepções.
Os próximos 30 dias colocarão à prova estruturas, candidaturas e lideranças. É o momento em que a campanha deixa de ser apenas uma disputa de narrativas e passa a exigir presença, organização e capacidade real de convencimento.
As ruas ainda parecem mais silenciosas do que os palanques. Resta saber quem conseguirá diminuir essa distância.
A eleição está nas redes, nos grupos políticos e nas agendas municipais. O grande desafio agora é fazê-la chegar à população. Porque são os eleitores que estão fora das bolhas, muitos deles ainda indecisos, discretos e atentos, que poderão definir o futuro político do Tocantins.