
Maju Cotrim
A 38 dias das urnas, campanhas movimentam lideranças e redes sociais, mas ainda não conseguiram romper a bolha da política
A eleição já começou no calendário, nas agendas dos candidatos e nas articulações partidárias. Nas ruas, entretanto, o cenário é bem diferente. A 38 dias da votação, boa parte da população tocantinense ainda parece distante, e até alheia, ao processo eleitoral.
Em um giro realizado nos últimos dias por municípios como Araguaína, Colinas do Tocantins e outras cidades da região norte, a Gazeta do Cerrado conversou com moradores em feiras, ruas e espaços populares. A percepção é clara: a disputa que mobiliza intensamente candidatos, lideranças e equipes de campanha ainda desperta pouco interesse na base da sociedade.
Há movimentação política, mas falta envolvimento popular. Até o momento, a eleição parece concentrada entre aqueles que disputam cargos, trabalham nas campanhas ou participam diretamente dos grupos políticos. Fora desse circuito, ainda são poucos os sinais de entusiasmo, debate espontâneo ou identificação com as candidaturas.
Isso revela um abismo entre a política organizada e a vida real. Enquanto campanhas celebram reuniões, adesões, carreatas e números nas redes sociais, muitos eleitores continuam preocupados com questões mais imediatas: emprego, saúde, segurança, custo de vida e os problemas cotidianos de suas cidades.
Não significa que o eleitor esteja desinteressado pelo futuro do Estado. Pode significar justamente o contrário: que as campanhas ainda não conseguiram apresentar respostas capazes de atravessar a bolha política e alcançar quem espera propostas concretas.
O grande desafio desta eleição, portanto, não será apenas conquistar votos já definidos ou reunir os mesmos grupos de sempre. Será chamar a atenção de quem ainda não escolheu, de quem não se sente representado e de quem acompanha a disputa com desconfiança ou indiferença.
Faltam 38 dias. É tempo suficiente para mudar o cenário, mas curto demais para continuar falando apenas para os convertidos. A eleição só terá chegado verdadeiramente às ruas quando o eleitor deixar de ser tratado como plateia e passar a se reconhecer como parte central do debate.
Até agora, as campanhas estão em movimento. O povo, porém, ainda espera uma razão para entrar nessa eleição.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!