Palmas recebe nesta semana evento gratuito sobre doença que afeta mais de 20 milhões de brasileiras

Os dados mais recentes disponíveis mostram que 79% das mulheres entrevistadas afirmam
praticar exercícios físicos, sendo elas maioria em 8 das 15 atividades mais populares no Brasil e
representando 60% do aumento no número de brasileiros que aderiram a rotinas de exercícios
nos últimos anos segundo o relatório Women and Sports do Ibope Repucom. Para uma parcela
dessas mulheres, a dedicação a atividades físicas não terá o efeito esperado já que o acúmulo de
gordura pode estar relacionado ao lipedema, problema que já atinge mais de 20 milhões de
brasileiras.

Para elas, inchaço persistente nas pernas, dor ao toque e sensação de peso, especialmente nos
Membros inferiores, são sintomas recorrentes e amplamente confundidos como resultado
da obesidade. No entanto, mesmo com dietas e exercícios rigorosos, essas mulheres
relatam dificuldade de eliminar gordura nas regiões afetadas. “O que muitas ainda
desconhecem é que esses sinais podem indicar exatamente a presença do lipedema, uma
doença crônica, de origem hormonal e genética, que afeta exclusivamente mulheres e não
responde a mudanças de estilo de vida”, alerta o cirurgião Weber Moragas, embaixador do
BAPS Lipedema Day, ação de conscientização que acontece de forma simultânea em
Palmas e outras 17 cidades no dia 13 de junho.

Importância de falar sobre lipedema

Ainda que o lipedema tenha ganhado as redes sociais nos últimos anos, o especialista explica que
ainda há um longo trabalho de conscientização a ser feito. Afinal, gradativamente a qualidade de
vida das que convivem com o problema sem informação e o diagnóstico correto segue se
deteriorando enquanto elas passam a evitar alguns tipos de roupa, abandonam passeios que
envolvem piscinas, lagos, rios e praias, e sentem o impacto na saúde mental.

De fato, estudos internacionais estimam que o lipedema atinja entre 10% e 18% das mulheres em
todo o mundo. No Brasil, entidades que se dedicam ao problema como a Associação Brasileira de
Cirurgia Plástica Estética (BAPS) concluem que a grande maioria das pacientes ainda leva mais de
uma década para receber o diagnóstico correto – tempo em que se acumulam tratamentos
ineficazes, impacto emocional severo e progressão da doença.

“O lipedema não tem cura, mas tem tratamento que envolve desde abordagens conservadoras
como drenagem linfática e compressão, até, em estágios mais avançados, procedimentos
cirúrgicos como a lipoaspiração especializada”, explica o cirurgião plástico Eduardo Ferro, Diretor-
Presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS). Segundo o especialista,
apenas essas abordagens podem oferecer alívio significativo dos sintomas e melhora expressiva da
qualidade de vida.

Lipedema e a importância da informação

A disseminação da informação acerca do lipedema tem se mostrado fundamental para ajudar
pacientes a conseguirem diagnósticos mais rápidos e mudanças de hábito de vida que amenizam o
problema como alimentação, massagens e atividades físicas.

Ainda assim, sem o acesso aos especialistas certos, o tratamento preciso pode demorar. “O
acúmulo desproporcional de gordura em regiões das pernas, quadril e braços pode ser doloroso e
vai demandar uma abordagem que combine cirurgião plástico, fisioterapeuta, dermatologista,
cirurgião vascular, todos alinhados para trazer alívio e devolver a qualidade de vida à paciente”,
argumenta Henrique Pugle, cirurgião plástico membro da BAPS e embaixador do Lipedema Day.

Acima de tudo, os especialistas salientam que o tratamento é personalizado e único para cada
tipo de paciente. É isso que torna a abordagem multiprofissional necessária, envolvendo ainda
endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Por um lado, o tratamento
clínico é fundamental para desinflamar o corpo, melhorar o metabolismo e reduzir os sintomas.
Por outro, a cirurgia – quando indicada – entra como um complemento, com foco funcional, e não
apenas estético. Já nos casos moderados a graves, quando há persistência de dor ou
comprometimento funcional, a cirurgia redutora de lipedema torna-se uma necessidade médica.

Reforço na conscientização

Depois de reunir cirurgiões plásticos e gestores de todo o Brasil em Goiânia para debater o cenário
atual e o futuro do turismo de saúde nacional e sua posição no mercado mundial, a BAPS se
prepara para a 3ª edição do Lipedema Day. No dia 13 de junho, a associação promove
simultaneamente em 18 cidades brasileiras ações gratuitas de conscientização, orientação e
esclarecimento sobre a doença, reunindo cirurgiões plásticos, fisioterapeutas, nutricionistas e
outros especialistas para levar informação qualificada a quem mais precisa.

A iniciativa coordenada pela BAPS integra uma agenda maior que se volta tanto para a valorização
da saúde da mulher como para ações para consolidar a cirurgia plástica e a medicina de qualidade
como um todo no Brasil. O objetivo é claro: quanto mais cedo o lipedema for identificado, maiores
são as chances de controle da progressão e de preservação da mobilidade, autoestima e bem-
estar das pacientes.

Lipedema Day

O que: Evento presencial com atividade física, parte instrutiva e confraternização.

Quando: 13 de junho, sábado

Onde: Palmas e outras 17 cidades brasileiras

Quanto: gratuito

Realização: BAPS (Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética)

Inscrições: https://form.typeform.com/to/QvT8aYkU?typeform-source=baps.global
Site: https://baps.global/

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