
Cerca de 32% da população adulta brasileira apresenta níveis elevados de LDL, popularmente conhecido como colesterol “ruim”, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. A alteração costuma ser silenciosa e pode passar anos sem provocar sintomas, o que faz com que muitas pessoas só descubram o problema em exames de rotina ou depois de já apresentarem outros fatores de risco, como pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardiovascular.
Apesar de ser frequentemente associado a problemas no coração, o colesterol é uma substância importante para o organismo. Ele participa da formação de hormônios, membranas celulares e outras funções essenciais. A atenção maior deve estar no equilíbrio entre suas frações e no risco individual de cada paciente. O LDL transporta colesterol para os tecidos e, quando está elevado, pode favorecer o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Já o HDL, conhecido como colesterol “bom”, ajuda a retirar parte desse excesso da circulação e levá-lo de volta ao fígado.
Para o cardiologista Dr. Henrique Furtado, a divisão entre colesterol bom e ruim facilita o entendimento, mas não deve ser usada como única forma de interpretar o exame. “O paciente muitas vezes olha apenas se um número está alto ou baixo, mas a avaliação cardiovascular é mais ampla. É preciso considerar idade, histórico familiar, presença de hipertensão, diabetes, tabagismo, peso, alimentação, atividade física e outros marcadores. O mesmo resultado pode ter significados diferentes para pessoas com riscos diferentes”, explica.
A preocupação com o colesterol alto está relacionada principalmente à aterosclerose, processo de formação de placas de gordura nas paredes das artérias. Com o tempo, essas placas podem dificultar a passagem do sangue e aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica. Como essa evolução costuma ser lenta e silenciosa, o acompanhamento preventivo é uma das formas mais importantes de identificar alterações antes que elas se transformem em complicações.
O controle do colesterol pode envolver mudanças de hábitos e, em alguns casos, uso de medicamentos. Alimentação com menor consumo de gorduras saturadas e ultraprocessados, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do tabagismo e acompanhamento de condições como diabetes e hipertensão ajudam a reduzir o risco cardiovascular. Quando o colesterol permanece elevado ou quando o paciente já apresenta risco aumentado, o tratamento deve ser definido pelo médico.
O acompanhamento também evita interpretações equivocadas sobre metas e resultados. Segundo o especialista, o exame precisa ser lido de acordo com a realidade clínica de cada pessoa. “Não existe uma meta única de colesterol para todo mundo. Uma pessoa jovem, sem outros fatores de risco, pode ter uma recomendação diferente de alguém que já teve infarto, tem diabetes ou apresenta histórico familiar importante. Entender a diferença entre HDL e LDL é importante, mas a decisão sobre prevenção e tratamento depende do risco cardiovascular de cada paciente”, reforça.