
Aurélio Ribeiro Coelho será levado a júri popular pela morte da ex-companheira, Thalyta Amâncio da Silva Fernandes, assassinada com 26 golpes de faca enquanto estava grávida. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (10) pelo juiz Helder Carvalho Lisboa, da 1ª Vara Criminal de Tocantinópolis.
Além do homicídio, o réu responderá pela interrupção da gravidez da vítima sem o consentimento dela. O magistrado também rejeitou o pedido para revogar a prisão preventiva e determinou que Aurélio permaneça preso.
O crime aconteceu na noite de 11 de setembro de 2025, em uma residência na Avenida Nossa Senhora de Fátima, em Tocantinópolis. Conforme consta no processo, Thalyta foi atingida por 26 golpes de faca e morreu ainda no local.
Exames periciais apontaram que ela estava grávida de aproximadamente dez semanas. Segundo o laudo médico, a morte da vítima também provocou diretamente a morte do feto.
Na decisão de pronúncia, o juiz considerou que existem elementos suficientes para que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri. Nessa fase do processo, cabe à Justiça avaliar a existência de provas da ocorrência do crime e de indícios de autoria, deixando para os jurados a decisão sobre eventual condenação ou absolvição.
Também serão analisadas pelo júri as qualificadoras de motivo torpe, relacionado a ciúme e sentimento de posse; uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima, devido ao ataque repentino dentro da residência; e emprego de meio cruel, em razão da quantidade de ferimentos.
Os jurados ainda deverão avaliar a causa de aumento de pena relacionada à presença dos filhos da vítima. Conforme depoimentos reunidos no processo, as crianças, de 6 e 8 anos, estavam na residência no início do ataque e precisaram ser retiradas às pressas do imóvel.
Ao manter a prisão preventiva, o magistrado considerou a gravidade concreta do caso e o fato de o acusado ter deixado a cidade após o crime. Segundo a decisão, ele permaneceu escondido e somente se apresentou depois que a prisão já havia sido decretada.
A decisão ainda pode ser alvo de recurso.