MP investiga rompimento de barragem no Rio Dueré e determina medidas para apurar danos ambientais

Uma série de medidas para apurar as circunstâncias do rompimento de uma barragem construída no Rio Dueré foram determinadas pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO). A estrutura fica localizada no município de Formoso do Araguaia, no sul do estado. As providências foram tomadas após a identificação de um vídeo que circula nas redes sociais que mostra o colapso da estrutura e os impactos provocados na área. 

As imagens mostram danos nas estruturas de gabião e vigas de ferro, além de intenso processo erosivo às margens do rio, com potencial risco estrutural e impactos ambientais decorrentes do desvio do fluxo da água. O barramento já era objeto de investigação por meio de inquérito civil que apura possíveis irregularidades relacionadas ao processo de licenciamento ambiental.

A partir do fato novo, o promotor de Justiça Jorge José Maria Neto, titular da promotoria de Justiça Regional Ambiental da Bacia do Alto e Médio Araguaia, determinou o envio de notificações à Associação dos Produtores do Sudeste do Tocantins (Aproeste), responsável pelo empreendimento, para que apresente informações sobre o modelo contratual de financiamento e execução da obra.

Também solicita a relação dos responsáveis técnicos, os projetos de engenharia e ambientais, os registros de responsabilidade técnica (ART), relatórios de monitoramento ambiental e um diagnóstico sobre as causas do rompimento, bem como as medidas adotadas para reduzir os impactos ambientais provocados pelo incidente. 

Naturatins

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) também foi oficiado para encaminhar os relatórios de segurança da barragem, informações sobre o acompanhamento do licenciamento ambiental, avaliação das causas do rompimento, diagnóstico dos danos ambientais e das áreas afetadas pelo processo erosivo, além de adotar as medidas de fiscalização e as sanções administrativas que forem cabíveis.

O promotor de Justiça também solicitou ao  Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoma) do MPTO, que realize vistoria técnica no local para mensurar os danos ambientais e  avaliar se os estudos e projetos de engenharia da barragem  eram compatíveis com o empreendimento, bem como analisar a relevância da estrutura para o sistema de gerenciamento hídrico da Bacia do Rio Formoso.

Além dos aspectos ambientais, o procedimento também busca acompanhar a correta aplicação dos recursos públicos envolvidos no empreendimento. A execução específica do barramento e de suas estruturas elevatórias está estimada em aproximadamente R$1,5 milhão, que integra um contrato mais amplo, de cerca de R$29 milhões, destinado à implantação de intervenções hídricas e projetos de irrigação na região.

Texto: Lidiane Moreira/Dicom MPTO