Foto: Freepik
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A gasolina vendida em todo o Brasil passa a contar, a partir deste sábado (1º), com 32% de etanol anidro na composição. Até então, o percentual era de 30%. A alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.

De acordo com o CNPE, a medida considera a volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis e busca ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética brasileira.

A mudança, no entanto, reacendeu o debate sobre os possíveis impactos em veículos movidos exclusivamente a gasolina, especialmente modelos mais antigos ou que não foram projetados para operar com concentrações mais elevadas de etanol.

No fim de julho, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão da medida. O órgão sustenta que os testes realizados não foram conclusivos e que os impactos ambientais da nova mistura não teriam sido avaliados de forma suficiente.

Em resposta, o CNPE informou que foram realizados testes em laboratório e em condições reais de uso, analisando desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e emissões de poluentes. Segundo o conselho, os resultados mostraram comportamento semelhante ao das misturas anteriores, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados, inclusive aqueles equipados com motores exclusivamente a gasolina.

Entre as preocupações levantadas por entidades do setor automotivo está a compatibilidade de componentes do sistema de combustível em veículos antigos ou importados. Mangueiras, vedações, bombas de combustível, bicos injetores e peças metálicas podem apresentar maior desgaste devido às características do etanol.

Outro ponto destacado é que o etanol anidro possui maior capacidade de absorver umidade, o que pode favorecer processos de corrosão em componentes que não foram desenvolvidos para operar com concentrações mais elevadas do biocombustível. Em alguns casos, motores mais antigos também podem registrar aumento no consumo de combustível e dificuldades na partida.

Para reduzir riscos, especialistas recomendam manter a manutenção preventiva em dia, observar mudanças no funcionamento do veículo e utilizar peças compatíveis com as especificações do fabricante. Caso haja falhas na partida, marcha lenta irregular, perda de desempenho ou aumento significativo no consumo, a orientação é procurar assistência técnica.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que apoia a ampliação do uso de biocombustíveis, mas defende que mudanças na composição da gasolina sejam precedidas por testes técnicos capazes de assegurar a segurança e a durabilidade dos motores.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional de etanol e avalia que a ampliação da mistura pode reduzir a necessidade de importação de gasolina, além de fortalecer a participação de combustíveis renováveis produzidos no país.