
Quem cruza as ruas de Gurupi pode até encontrá-la com uma vassoura nas mãos, mas não é raro que Cícera Beatriz Alves de Souza transforme uma pausa na limpeza urbana em alguns passos de dança. Aos 43 anos, a gari virou figura conhecida na cidade pelo jeito bem-humorado de encarar a rotina e agora também chama atenção nas redes sociais.
Há oito anos trabalhando na limpeza urbana do município, Cícera conta que buzinas e acenos já fazem parte do expediente. Motoristas e moradores reconhecem a trabalhadora e costumam reagir quando a encontram dançando, mesmo debaixo do calor característico do sul do Tocantins.
“As pessoas passam, buzinam, sorriem, falam: ‘Eita, está animada’, ‘Nossa, um sol quente desse e você animada’. E eu falo: ‘Claro, a vida já é dura, tem que trabalhar feliz’. Tem que ser feliz, e eu não tenho vergonha”, conta.
Dança virou marca nas ruas
O hábito não começou pensando em visualizações. Cícera diz que sempre gostou de dançar e encontrou na música uma maneira de tornar os dias mais leves.
“Eu gosto muito de dançar. Não sei dançar, mas danço. Nem todos os dias a gente está bem, mas eu sou uma pessoa que não levo a tristeza para o trabalho, deixo em casa”, afirma.
Quando começou a registrar esses momentos e publicá-los nas redes sociais, percebeu que a animação que já chamava atenção nas ruas também funcionava diante das câmeras.
Os vídeos passaram a receber comentários de moradores que já conheciam Cícera antes mesmo da fama na internet. “Sempre a vejo nas ruas de Gurupi contagiando com sua alegria”, escreveu uma internauta em uma das publicações.
Oito anos cuidando da cidade
Mãe de três filhos e avó de três netos, Cícera já passou por diferentes funções dentro do serviço de limpeza. Trabalhou na coleta de lixo e, posteriormente, retornou às atividades de limpeza de calçadas, praças e avenidas.
A disposição também é lembrada por quem dividiu a rotina de trabalho com ela. A ex-gerente Letícia Machado trabalhou ao lado da gari durante três anos e conta que o comportamento visto nos vídeos não é novidade.
“Trabalhei três anos com ela. Sempre alegre, mesmo nos momentos mais difíceis, ela nunca deixou de esbanjar alegria. Sempre animada”, relembra.
Entre uma rua e outra, Cícera segue fazendo aquilo que já fazia antes de ganhar espaço nas redes: varre, limpa e, quando aparece uma oportunidade, dança porque, como ela mesma resume, se a vida já é dura, melhor trabalhar feliz.