
O prefeito de Palmeirópolis, Wlisses Barros, rebateu as acusações feitas pelo candidato a deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos) e negou ter pressionado servidores públicos para que não participassem de uma reunião política realizada pelo parlamentar na cidade. Para o prefeito, as críticas foram “desproporcionais” e ele disse não entender a motivação do ataque.
A reação ocorre depois de Ayres publicar, nesta segunda-feira, 14, um vídeo em que acusa lideranças de Palmeirópolis de dificultarem a participação de apoiadores, principalmente servidores públicos, no encontro realizado na noite de domingo.
Wlisses afirmou que sequer tinha conhecimento prévio da agenda do candidato no município e ressaltou que Ricardo possui seu contato, mas não o procurou para informar sobre a visita. “Ele tem meu telefone, nem me ligou para falar que vinha, eu nem sabia. O pessoal dele fez a reunião aqui, não comunicou bem sobre isso. Era uma data ruim, num domingo à noite”, declarou.
Segundo o prefeito, a baixa participação no encontro pode estar relacionada ao próprio horário escolhido e a outros compromissos da população. Ele destacou o perfil religioso do município e disse que havia uma programação evangélica acontecendo na cidade no mesmo período. “Ontem à noite não seria o melhor momento para fazer uma reunião. Pessoas comuns têm muitos compromissos em um domingo à noite, principalmente sendo aqui uma cidade muito religiosa”, afirmou.
“Não pressionei servidor”
Wlisses também contestou diretamente a afirmação de que servidores públicos teriam sido pressionados a não comparecer ao evento ou a evitar manifestações de apoio a Ricardo. “Sobre essa questão com servidores, que eu pressionei, não. Para te falar a verdade, eu não tinha visto nem um adesivo dele aqui, nem para eu saber que ele já estava fazendo campanha em Palmeirópolis”, disse.
O prefeito afirmou manter uma relação de respeito com os funcionários públicos municipais e citou sua própria trajetória na cidade para rejeitar a acusação. “Eu tenho um tratamento muito respeitoso com meus servidores. Toda a vida foi pautada em muito respeito às pessoas. Tenho 40 anos, nasci e fui criado aqui dentro. Minha vida toda foi uma vida muito correta, sempre trabalhando, sempre investindo. Eu vim da iniciativa privada”, declarou.
Prefeito atribui mudança de apoios à candidatura de Fábio Vaz
Na avaliação de Wlisses, há uma explicação política para antigos apoiadores de Ricardo Ayres não estarem atualmente ao lado do candidato.
Segundo ele, parte das lideranças que historicamente apoiava Ricardo em Palmeirópolis também tinha proximidade com Fábio Vaz, que agora disputa uma vaga de deputado federal. Com a candidatura própria, essas pessoas teriam migrado naturalmente para o grupo de Fábio. “O grupo que sempre apoiou o Ricardo aqui era o grupo mais ligado ao Fábio Vaz e, naturalmente, hoje, com a candidatura do Fábio, todos esses líderes estão acompanhando o Fábio”, explicou.
Wlisses disse considerar legítima a insatisfação de Ricardo com a perda de apoios, mas avaliou que isso não justificaria responsabilizá-lo pela participação no evento. “Acredito que foi desproporcional o ataque dele a mim. […] Eu não entendi qual foi essa jogada dele, não”, afirmou.
Ricardo acusou lideranças de impedir participação em reunião
A troca de declarações começou depois que Ricardo Ayres gravou um vídeo ao deixar Palmeirópolis. O candidato afirmou que lideranças que receberam seu apoio em eleições anteriores teriam impedido pessoas próximas a ele de comparecer à reunião, “sobretudo servidores públicos”.
Ayres também alegou que apoiadores estariam sofrendo retaliações e relatou episódios de retirada de material de campanha. No vídeo, entretanto, fez questão de separar as críticas da candidatura de Fábio Vaz, a quem elogiou e desejou sucesso na eleição.
O candidato disse ainda ter destinado cerca de R$ 4 milhões em recursos para Palmeirópolis ao longo de sua atuação política e demonstrou incômodo com antigos aliados que passaram a apoiar outros nomes.
Apesar do embate, Ricardo afirmou que a divergência com o prefeito não afetará a destinação de recursos ao município. “Não é porque o prefeito Wlisses apoia outro candidato que eu vou deixar de ajudar a cidade que me ajudou a eleger, que me colocou como deputado federal e estadual. Vou continuar ajudando, sim, Palmeirópolis”, declarou.
As alegações de pressão e retaliação feitas por Ricardo foram negadas por Wlisses. Até o momento, nas declarações apresentadas pelos dois lados, não foram indicados casos individualizados ou documentos que comprovem eventual perseguição a servidores.