Sandolândia
Sandolândia

O tremor de magnitude 3,7 registrado em Sandolândia na última sexta-feira, 4, não foi um episódio isolado no Tocantins. Desde 1988, o estado contabiliza 34 abalos sísmicos, segundo registros do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). O mais recente foi também o mais forte dos últimos dez anos e aparece entre os três de maior magnitude das últimas três décadas.

O histórico mostra que os tremores se concentram principalmente nas regiões central e sul do estado. Natividade e Paranã aparecem com a maior recorrência de episódios, inclusive com casos em que dois abalos foram registrados no intervalo de poucos minutos.

Apesar dos números, os tremores registrados no Tocantins têm magnitudes relativamente baixas. Muitos podem sequer ser percebidos pela população, segundo o sismólogo José Alexandre Nogueira.

O especialista explica que o Brasil está localizado no interior de uma placa tectônica e distante de suas bordas, onde estão concentrados os terremotos mais intensos.

“Depende muito do local em que ele acontece. Tem uma plataforma em que você pode relatar caso sinta algum tremor. Então está sendo muito comum as pessoas registrarem esse tipo de coisa nas redes sociais. Algumas pessoas sentiram esse tremor [de Sandolândia], por exemplo”, explicou.

Segundo Nogueira, a localização e a intensidade também determinam se um abalo será notado. “Se ele for muito longe da civilização ou se ele tiver magnitude muito baixinha, geralmente esses terremotos passam despercebidos.”

Tremor em Sandolândia é o terceiro maior em 30 anos

O abalo de Sandolândia atingiu magnitude 3,7 no dia 4 de setembro. Considerando os registros apresentados pelo Centro de Sismologia da USP, nenhum tremor tão forte havia sido registrado no Tocantins desde 2015.

Nas últimas três décadas, apenas dois episódios tiveram magnitude superior: Porto Nacional, com 3,9, em 11 de janeiro de 1998; e Natividade, com 3,8, em 7 de janeiro de 1989.

Porto Nacional, portanto, permanece com o maior registro da série histórica apresentada. O tremor de 1998 chegou a magnitude 3,9.

Natividade teve seis abalos; dois ocorreram no mesmo dia

Natividade chama atenção pela frequência. O município acumula seis registros com magnitude igual ou superior a 3,0.

Dois aconteceram em 21 de agosto de 1990. O primeiro, de magnitude 3,5, foi registrado às 5h12. Apenas 29 minutos depois, às 5h41, outro tremor alcançou magnitude 3,6.

Paranã apresenta situação semelhante e soma cinco ocorrências na série. Em 14 de julho de 2003, o município registrou um abalo de magnitude 3,6 às 9h08 e outro de 3,0 às 9h15, intervalo de apenas sete minutos.

Os outros episódios em Paranã ocorreram em 2013, 2017 e 2021, com magnitudes entre 2,8 e 3,1.

Estado teve três tremores somente em 2026

Antes do episódio de Sandolândia, outros dois tremores já haviam sido registrados no Tocantins neste ano.

Em Araguaçu, um abalo de magnitude 3,3 ocorreu em 28 de fevereiro. Depois, em 21 de maio, Cariri do Tocantins registrou magnitude 2,8. O tremor de Sandolândia, em setembro, elevou para três o número de ocorrências em 2026.

Entre os menores abalos registrados nas últimas três décadas estão justamente os de magnitude 2,8 observados em Santa Rosa do Tocantins, Paranã e Cariri do Tocantins.

Veja o histórico registrado no Tocantins

MunicípioDataMagnitude
Araguatins30/08/19883,5
Natividade07/01/19893,8
Natividade21/08/19903,5
Natividade21/08/19903,6
Porto Nacional21/06/19952,9
Gurupi13/11/19963,4
S.F. Araguaia24/08/19973,1
Porto Nacional11/01/19983,9
Natividade16/12/19993,4
Natividade12/04/20003,1
Gurupi13/09/20003,4
Pium18/05/20023,1
Pium19/05/20023,0
Paranã14/07/20033,6
Paranã14/07/20033,0
Peixe03/04/20093,2
Santa Rosa do Tocantins19/02/20132,8
Sucupira09/04/20133,4
Paranã16/04/20133,1
Pugmil15/05/20143,0
Araguaína12/08/20143,0
Natividade29/07/20153,0
Peixe15/11/20152,9
Paranã18/05/20172,8
Brejinho de Nazaré15/03/20182,9
Alvorada14/09/20183,0
Ipueiras08/08/20193,3
Mateiros29/09/20203,0
Paranã11/01/20212,8
Lagoa da Confusão07/02/20213,0
Talismã29/12/20223,4
Araguaçu28/02/20263,3
Cariri do Tocantins21/05/20262,8
Sandolândia04/09/20263,7

Fonte: Centro de Sismologia da USP

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins