
O terceiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, nesta quinta-feira, 27, voltou a colocar os concorrentes frente a frente. Desta vez, cada pergunta precisou seguir um tema sorteado na hora, com direito a resposta e réplica.
Meio ambiente, economia, eficiência da máquina pública, educação, segurança, infraestrutura e saúde entraram na rodada. Pelas regras, quem perguntava escolhia o adversário, desde que ele ainda não tivesse respondido naquele bloco.
Witer cobra Laurez sobre recursos hídricos
O primeiro confronto foi entre Professor Witer Naves (PSOL) e Laurez Moreira (PSD), com o tema meio ambiente.
Witer destacou que a preocupação ambiental no Tocantins não envolve apenas desmatamento, mas também a proteção das águas. “Nós vivemos em uma Mesopotâmia, banhada toda a terra tocantinense por dois grandes rios, o Araguaia e o Tocantins. Eu gostaria de saber do senhor como vai mitigar os problemas ambientais e dar condições aos recursos hídricos do Tocantins.”
Laurez respondeu defendendo maior fiscalização e o fortalecimento dos órgãos ambientais. “A legislação brasileira é uma legislação que realmente eu entendo que é rigorosa e eu tenho a convicção de que, se você cumprir a nossa legislação, nós vamos ter muitos avanços nessa área.”
Ele também citou a preservação dos mananciais e o incentivo à energia limpa. “Nós vamos adotar aquela política de fortalecer os órgãos ambientais e entregar esse assunto para quem realmente tem formação na área.”
Dorinha e Vicentinho voltam a trocar críticas
O embate mais direto começou quando Professora Dorinha (União Brasil) escolheu Vicentinho Júnior (PSDB) para responder sobre economia.
Ela questionou a implantação da Zona de Processamento de Exportação de Araguaína. “Até 2032 teremos que resolver a questão da Zona de Processamento de Exportação de Araguaína. De forma concreta, como pensa em resolver a implantação da ZPE?”
Vicentinho usou a resposta para atacar a atual gestão e cobrou medidas imediatas. “Mais um atestado de competência: não resolveram. […] Eu vou extinguir o FET? Extingo agora. Eu vou dar os incentivos? Faz agora.”
O tucano também criticou a ausência, segundo ele, de ações estruturantes para o desenvolvimento econômico.
Na réplica, Dorinha rebateu: “Na verdade, eu não sou governadora ainda, então eu não posso extinguir o FET. Mas, na minha gestão, vai ser extinguido sim.”
Ela também afirmou que o governo já tem medidas em andamento para a ZPE de Araguaína.
Na sequência, Vicentinho ganhou o direito de perguntar e manteve Dorinha como adversária. O tema sorteado foi eficiência da máquina pública.
Ele citou problemas na saúde e voltou a associar a candidata ao atual governo. “A senhora quer falar de brincadeira, gracinha? Queria saber se a sua gestão é essa continuidade que a senhora está tentando tanto esconder.”
Dorinha respondeu dizendo que não esconde apoio ao governo, mas negou compromisso com continuidade de erros. “Eu não tento esconder, não. Esse governo tem uma boa avaliação. Tem só acertos? Tem desafios, tem dificuldades, em especial na área da saúde.”
Ela afirmou que pretende adotar novos modelos de gestão e fortalecer a saúde pública.
Vicentinho, na réplica, voltou a prometer novos hospitais regionais e conclusão de obras em andamento.
Ataídes e Du criticam “velha política”
O tema educação colocou Ataídes Oliveira (Novo) diante de Du Pereira (DC).
Ataídes perguntou se seria possível melhorar áreas como educação, saúde, segurança e infraestrutura sem combater aquilo que ele chama de corrupção, favores políticos e má gestão.
Du respondeu com uma proposta específica para a educação. “Nós temos um plano de governo excepcional. Um exemplo é o professor Nota 10 e o aluno Nota 10.”
Segundo ele, estudantes participariam da avaliação de professores, e os profissionais mais bem avaliados receberiam reconhecimento.
Du também aproveitou para provocar Dorinha e Vicentinho: “Vamos já lá para o Jalapão refrescar a cabeça. Deixa o povo, as pessoas novas do nosso estado, renovar essa política.”
Ataídes concordou com a crítica e afirmou: “Eles são iguais, né? Eles não vão mudar mais.”
Laurez cobra Ataídes sobre segurança pública
Laurez Moreira escolheu Ataídes Oliveira para responder sobre segurança pública.
Laurez citou municípios sem policiais, delegacias sem delegados e falta de tecnologia. “Mais de 70 municípios não têm um policial. […] A maioria das delegacias não tem um delegado. Nós vivemos num Estado em que falta tecnologia dentro da segurança pública.”
Ataídes defendeu concurso público para ampliar o efetivo. “Nós temos que fazer concurso público. Nós temos que acabar com esse estado de favores políticos.”
Ele citou déficit de policiais militares, civis e penais e voltou a associar contratações políticas à falta de estrutura.
Na réplica, Laurez defendeu investimentos em vigilância eletrônica e maior presença do Estado nas cidades e fronteiras. “Se tivesse vigilância eletrônica em todas as cidades, nas fronteiras, nós poderíamos ter uma segurança pública bem melhor.”
Du pergunta a Luiz Carlos sobre estradas
No tema infraestrutura, Du Pereira questionou Subtenente Luiz Carlos Ferreira (Democrata) sobre prioridades de obras. “Estrada ruim significa prejuízo para o produtor, dificuldade para transportar mercadorias, sofrimento para quem precisa viajar. […] Quais obras são prioridades no seu governo?”
Luiz Carlos respondeu menos com obras específicas e mais com críticas às promessas feitas ao longo das últimas décadas. “Eu acreditei muito em político. Vinte, trinta anos, promessa, ilusão. […] Hoje era para estar tudo asfaltado, era para estar tudo com ciclovia, era para estar duplicado.”
O candidato afirmou que sua participação representa um “voto de protesto” e disse não acreditar mais em promessas.
Na réplica, Du também criticou políticos profissionais.
“Os políticos tocantinenses, como a maioria do Brasil, são treinados para falar bonito.”
Ele disse que seu plano não foi “desenhado com ChatGPT” e voltou a se apresentar como nome de renovação.
Luiz Carlos leva relato pessoal para pergunta sobre saúde
Encerrando a rodada, Subtenente Luiz Carlos perguntou a Professor Witer sobre saúde.
Luiz Carlos citou a própria experiência familiar e criticou a estrutura do Hospital Geral de Palmas.
“A saúde não é brincadeira. Quinze médicos por dia no HGP não dão conta de 400, 600, 700 pessoas. Por que não contratam cem? Dinheiro tem. Tem para show? Mais de um milhão de reais.”
Witer respondeu com base nos princípios do Sistema Único de Saúde.
“A universalidade, que é o direito do cidadão, a integralidade do sistema de saúde e a equidade, que é a garantia da saúde para todos. Esse é o dever do Estado.”
Segundo ele, um eventual governo deve ampliar o acesso e garantir atendimento de forma mais equilibrada.
Na réplica, Luiz Carlos voltou a defender corte de gastos na estrutura administrativa.
“A saúde tem jeito. É só enxugar a máquina. É secretaria demais, é gasto demais, são amigos demais.”
O terceiro bloco terminou após a rodada de confrontos. Pelas regras do debate, cada candidato teve 30 segundos para perguntar, um minuto para responder e 30 segundos para réplica.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!