
O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins, promovido pela FIETO em parceria com a TV Jovem Record nesta quinta-feira, 27, tirou o confronto direto de cena e colocou os postulantes diante de perguntas elaboradas pelo setor industrial.
Pelas regras, cada candidato escolheu um número associado a uma pergunta preparada previamente pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins. Com os sete concorrentes presentes, cada um teve dois minutos para responder, sem réplica ou tréplica.
Mineração, ciência e tecnologia, competitividade industrial, educação, economia de baixo carbono, infraestrutura e industrialização da produção agrícola estiveram entre os assuntos colocados na rodada.
Witer defende plano para mineração e critica Lei Kandir
O professor Witer Naves (PSOL) foi questionado sobre o avanço da mineração no Tocantins. A FIETO destacou que a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral passou de R$ 7,8 milhões, em 2020, para R$ 35,4 milhões em 2025, e perguntou como o Estado poderia aproveitar o crescimento da atividade e, ao mesmo tempo, responder à maior demanda por infraestrutura, serviços públicos e trabalhadores especializados.
Witer defendeu a elaboração de um plano diretor para a mineração e afirmou que o potencial mineral tocantinense ainda é pouco aproveitado. “Nós, enquanto governo, vamos produzir um plano diretor minerário para o nosso Estado.”
O candidato também direcionou críticas à Lei Kandir. Segundo ele, o modelo atual limita a capacidade de arrecadação dos estados sobre commodities minerais e, consequentemente, os recursos disponíveis para estimular o próprio setor.
Witer argumentou que uma mudança dependeria de articulação com deputados federais e senadores e defendeu uma relação em que o crescimento da mineração também resulte em capacidade do Estado de oferecer infraestrutura e serviços.
Dorinha aposta em tecnologia, universidades e pesquisa
Professora Dorinha (União Brasil) recebeu uma pergunta sobre a aplicação dos recursos que a Constituição Estadual destina ao desenvolvimento científico e à capacitação tecnológica.
A candidata colocou educação e tecnologia como áreas centrais de uma eventual gestão e defendeu maior articulação do governo com universidades, institutos federais, pesquisadores e setor produtivo. “Não tem país, não tem Estado que cresça e se desenvolva sem investimento na tecnologia e na educação.”
Dorinha citou a criação de parques tecnológicos, atração de pesquisadores e estímulo à pesquisa. Para ela, os investimentos não devem ficar restritos à indústria: podem chegar à segurança pública e ao agronegócio, inclusive com tecnologia e melhoramento genético acessíveis a pequenos e médios produtores.
Vicentinho critica governo e promete parceria com setor produtivo
A pergunta dirigida a Vicentinho Júnior (PSDB) foi sobre competitividade: quais medidas adotaria em áreas controladas pelo Estado, como ICMS, licenciamento ambiental, infraestrutura e incentivos fiscais, para atrair investimentos e empregos qualificados.
Vicentinho aproveitou parte dos dois minutos para criticar a atual administração estadual e afirmou que pretende aproximar o setor produtivo das decisões de governo. “Eu não vou tratar empreendedorismo no Estado do Tocantins sem ouvir, de fato, quem o mantém na nossa terra.”
O candidato mencionou o Fundo de Desenvolvimento Regional criado no contexto da reforma tributária e criticou a ausência, segundo ele, de projetos estruturantes apresentados pelo Tocantins.
Outro ponto destacado foi a formação profissional. Vicentinho citou os jovens que não estudam nem trabalham e defendeu parceria com o Sistema S para qualificar mão de obra. “Eu quero ter vocês ao meu lado.”
Ataídes promete 80 escolas de tempo integral e concurso para professores
Para Ataídes Oliveira (Novo), a FIETO levou os números do Ideb de 2025 e o desempenho da rede estadual. A pergunta relacionou a qualidade da educação à dificuldade de preparar jovens para as qualificações exigidas pela indústria.
Ataídes anunciou que pretende construir pelo menos 80 escolas de tempo integral, mas disse considerar a contratação e valorização dos professores o ponto mais importante da estratégia. “A primeira coisa é fazer o concurso público. Segundo, respeitar, valorizar os nossos professores, capacitá-los e cobrar resultado deles.”
O candidato também falou em modernizar e climatizar escolas, garantir internet, disponibilizar equipamentos e reforçar a segurança das unidades.
Na parte final, voltou a atacar o modelo político do Estado, associando contratações temporárias ao que chama de “favores políticos”, e responsabilizou administrações anteriores pela situação da educação.
Laurez promete fortalecer órgãos ambientais e acelerar licenças
Laurez Moreira (PSD) respondeu sobre economia de baixo carbono e os efeitos econômicos da política ambiental. A FIETO citou dado do Observatório do Clima que coloca o Tocantins como o 11º maior emissor de gases de efeito estufa do país e questionou como evitar que o passivo ambiental prejudique a competitividade das empresas.
Laurez defendeu o fortalecimento dos órgãos ambientais e criticou interferências políticas na área. “Em primeiro lugar, cuidar bem dos órgãos que cuidam do meio ambiente.”
O candidato também defendeu políticas de prevenção e combate às queimadas e afirmou que desenvolvimento econômico e preservação precisam caminhar juntos.
Para o empresariado, prometeu enfrentar outro problema: a demora para conseguir licenças ambientais. “Não [podemos] deixar o empresário, aquele que investe e quer investir, ficar, às vezes, esperando mais de um ano ou dois para uma licença ambiental.”
Du Pereira promete priorizar infraestrutura e reduzir peso da energia
Du Pereira (DC) recebeu uma pergunta ampla sobre infraestrutura, envolvendo rodovias, Ferrovia Norte-Sul, energia e saneamento.
O candidato concentrou a resposta principalmente nas estradas e afirmou que pretende adotar um modelo de recuperação e manutenção permanente das rodovias, além de investir em pontes e acessos. “No nosso governo, infraestrutura não será maquiagem, será obra bem planejada.”
Du citou a TO-010 como uma das prioridades de sua eventual gestão e relacionou a melhoria da malha viária à capacidade de escoamento da produção e atração de investimentos.
Na energia, prometeu atuar para reduzir o peso da tarifa e mencionou a possibilidade de redução do ICMS. Ele classificou o custo da energia no Tocantins como excessivo e disse que o tema estará entre as prioridades de governo.
Luiz Carlos diz que impostos afastam indústrias do Tocantins
Último a responder, Luiz Carlos Ferreira (Democrata) foi questionado sobre como fazer o Tocantins deixar de ser apenas fornecedor de commodities agrícolas e passar a industrializar uma parcela maior da produção dentro do próprio Estado.
O candidato fez uma resposta crítica ao ambiente de negócios e afirmou que empresários deixam o Tocantins por causa da carga tributária e da pressão do poder público. “Se não baixar o imposto, se não abrir as portas do Palácio para os empresários, as indústrias não vêm para cá.”
Luiz Carlos também questionou promessas apresentadas em eleições anteriores e disse que pretende representar uma candidatura de renovação. “Eu posso falar aqui o que vocês querem ouvir, mas, não saindo do papel, não adianta.”
O segundo bloco terminou sem direito a questionamentos entre os próprios candidatos. O confronto direto retorna no terceiro bloco, desta vez com temas sorteados entre economia, infraestrutura, educação, saúde, segurança, meio ambiente e eficiência da máquina pública. Quem pergunta escolhe o adversário que responderá, desde que ele ainda não tenha sido questionado na rodada.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!